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Investigadoras portuguesas dão nova utilidade às borras de café

  • 1 day ago
  • 2 min read

Estudo da Universidade de Aveiro demonstra que borras de café podem ser reaproveitadas para criar emulsões alimentares sustentáveis, capazes de proteger o óleo de café da oxidação e preservar o aroma.




As borras de café podem ter uma segunda vida: investigadoras da Universidade de Aveiro mostraram que este resíduo pode ser usado para proteger o óleo de café da degradação e preservar o seu aroma.


O trabalho, desenvolvido pelas investigadoras Cláudia Passos e Sílvia Petronilho, do Departamento de Química da UA, foca-se na valorização de um resíduo "produzido em larga escala pela indústria" e descartado sem qualquer aproveitamento.


As investigadoras demonstraram que as borras de café "podem ser reaproveitadas para criar emulsões alimentares sustentáveis, capazes de proteger o óleo de café da oxidação e preservar o seu aroma".


A oxidação degrada o óleo do café, alterando o aroma e reduzindo a sua qualidade. O óleo de café pode ser utilizado em alimentos, cosméticos, por exemplo.


Segundo explica o texto publicado no site da Universidade, a investigação centrou-se na extração e aproveitamento do próprio óleo das borras de café e de compostos antioxidantes e polissacarídeos, que habitualmente são desperdiçados após a preparação da bebida.


A borras foram aproveitadas para obter extratos ricos em polissacarídeos

Após a extração do óleo, as borras desengorduradas foram aproveitadas para obter extratos ricos em polissacarídeos, através de extração assistida por micro-ondas.


Foram obtidos dois extratos, um a 150 ºC com a designação MW1Sn e outro a 180 ºC, designado MW2Sn, ambos constituídos sobretudo por galactomananas e arabinogalactanas.


O extrato MW1_Sn destacou-se por apresentar níveis superiores de ácidos clorogénicos, compostos associados a propriedades antioxidantes.


"Com esses extratos, as investigadoras desenvolveram emulsões do tipo água-em-óleo-em-água, estruturas utilizadas para encapsular e proteger compostos suscetíveis à oxidação", descreve o texto, acrescentando que "as emulsões criadas apresentaram boa estabilidade e mantiveram a sua integridade estrutural".


"Para além da estabilidade, os resultados mostraram que estas emulsões ajudaram a preservar compostos responsáveis pelo aroma característico do café, como os furanos, enquanto limitaram a libertação de marcadores associados à oxidação lipídica, como os aldeídos, que podem causar odores e sabores indesejáveis", reporta.


No conjunto, o estudo "demonstra a viabilidade de reaproveitar borras de café para produzir emulsões alimentares estáveis e eficazes na proteção do aroma do óleo de café".


Segundo a Universidade de Aveiro, "os resultados do estudo abrem caminho para o desenvolvimento de novas aplicações alimentares de base circular e sustentável, reduzindo o desperdício de um subproduto global altamente abundante".


 
 
 

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