Desperdício de alimentos: os bancos de alimentos tornam-se aliados climáticos ao evitar a emissão de 1,8 milhões de CO2
- UCD

- 10 hours ago
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Um armazém cheio de caixas sem marca pode parecer um espaço rotineiro. No entanto, atrás dessas prateleiras esconde-se uma estratégia climática inesperada que ganha peso na agenda ambiental global: os bancos de alimentos.
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Segundo um novo relatório da Global Foodbanking Network, esses bancos não só combatem a fome. Além disso, evitam que milhões de toneladas de comida acabem em aterros e se transformem em gases de efeito estufa.
O estudo de impacto 2024 aponta que essa rede internacional resgatou alimentos suficientes para distribuir mais de 1,7 bilhões de refeições. Ao mesmo tempo, evitou a emissão de 1,8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Essa redução climática equivale a retirar de circulação cerca de 400.000 automóveis durante um ano. Assim, o que parecia apenas uma política social se consolida como uma ferramenta ambiental de grande escala.
A chave está no que não se vê. Quando os alimentos são desperdiçados e chegam ao aterro, eles se decompõem sem oxigênio e liberam metano, um gás muito mais potente que o dióxido de carbono.
Por isso, cada caixa recuperada evita uma dupla perda. Por um lado, reduz emissões; por outro, aproveita toda a energia investida em produzir, transportar e refrigerar esses alimentos.
Grande parte do desperdício ocorre antes de chegar aos lares. Supermercados descartam produtos por razões estéticas ou datas próximas de consumo, apesar de ainda serem aptos.
Nesse ponto intervêm os bancos de alimentos como ponte logística. Recolhem excedentes, os classificam e os redistribuem rapidamente a comunidades que deles necessitam.
Quando a política acompanha a logística
Esse impacto não depende apenas da boa vontade. Em vários países, as leis começaram a impulsionar a mudança com obrigações e incentivos para doar alimentos.
França proíbe grandes superfícies de destruir comida comestível, enquanto Itália oferece benefícios fiscais a quem colabora com redes solidárias. Assim, a redistribuição se torna norma.
Além disso, a União Europeia estabeleceu o objetivo de reduzir pela metade o desperdício alimentar até 2030. Uma meta climática que também é social.
Além da fome, menos pressão ambiental
O relatório destaca que resgatar alimentos reduz a necessidade de produzir mais. Isso significa menos uso de água, fertilizantes e combustíveis fósseis no campo.
Também diminui a pressão para expandir a fronteira agrícola, uma das principais causas de desmatamento e perda de biodiversidade no mundo.
Em algumas cidades, os bancos de alimentos já medem em tempo real quantas emissões evitam. Dados que transformam a solidariedade em ação climática mensurável.
Consequências ambientais do desperdício de alimentos
O desperdício alimentar agrava a mudança climática ao aumentar as emissões de metano em aterros. Além disso, multiplica o consumo desnecessário de recursos naturais.
Cada alimento que se perde implica água, solo e energia desperdiçados, assim como mais embalagens e transporte poluente. O impacto se estende a toda a cadeia.
Reduzir essas perdas permite avançar em direção a uma economia circular, onde até mesmo os restos não comestíveis podem se transformar em composto e voltar ao solo. Um ciclo mais coerente com os limites do planeta.




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