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Plataformas digitais: os aliados rápidos e ágeis nas crises da alimentação das cidades

  • Writer: UCD
    UCD
  • 10 hours ago
  • 3 min read

As cidades vivem hoje um paradoxo. Por um lado, são motores de inovação e de oportunidade económica, mas, por outro, são também epicentros de desafios sociais e ambientais cada vez mais intensos. As populações urbanas estão a crescer rapidamente, tal como a insegurança alimentar urbana – muitas pessoas que vivem nas cidades não têm acesso regular a alimentos suficientes, nutritivos e seguros. Atualmente, estima-se que 2,3 mil milhões de pessoas sofram deste problema, o que representa quase um terço da população mundial. Enquanto isso, o mundo desperdiça um terço de todos os alimentos produzidos, uma quantidade suficiente para alimentar cerca de 1,26 mil milhões de pessoas com fome por ano. Em Portugal, segundo o INE, em 2023, foram desperdiçadas cerca de 1,93 milhões de toneladas de alimentos, o que equivale, aproximadamente, a 200 kg de comida desperdiçados por pessoa por ano.


Grande Consumo




Resposta urbana à insegurança alimentar


Neste contexto, a necessidade de sistemas alimentares acessíveis e economicamente comportáveis torna-se mais urgente do que nunca. No entanto, as abordagens políticas atuais tendem a tratar a distribuição alimentar, o apoio social e as infraestruturas locais como temas separados, quando, na realidade, estão profundamente interligados. É precisamente aqui que as plataformas de Quick Commerce podem tornar-se aliadas no reforço da resposta urbana à insegurança alimentar.


O Quick Commerce é um modelo de comércio eletrónico de serviços de entrega ultra rápidos, hiperlocais, que recorrem a logística de curta distância, redes de estafetas e tecnologia avançada para satisfazer pedidos em poucos minutos. Embora o grande destaque destas plataformas se foque na conveniência, o seu verdadeiro potencial reside na capacidade de responder a desafios urbanos sistémicos, quando utilizadas de forma estratégica.


Quando estas empresas estabelecem, por exemplo, parcerias com ONGs e administrações locais, é possível alcançar muito – não apenas na entrega de alimentos a quem mais precisa, mas também na prevenção do desperdício alimentar. Estas parcerias permitem redirecionar excedentes alimentares de restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos diretamente para comunidades vulneráveis, evitando intermediários de baixa eficiência e com poucos recursos.


Redistribuição ajuda a tornar o sistema mais eficiente


Mas não se trata apenas de solidariedade. Esta redistribuição ajuda a tornar o sistema alimentar urbano mais eficiente, transformando aquilo que muitas vezes é tratado como desperdício num recurso. Desta forma, o alcance hiperlocal das empresas de Quick Commerce é aproveitado para fazer corresponder a oferta e a procura em tempo real, exatamente onde é necessário.


Desde 2020 que a Glovo colabora com ONGs e outras empresas para reduzir a desigualdade no acesso à alimentação. Ao combinarmos a nossa tecnologia, com logística e colaboração entre diferentes setores, conseguimos proporcionar às pessoas que não têm acesso económico e social a alimentos (seja por falta de acesso físico ou pelo valor dos alimentos) refeições nutritivas, ao mesmo tempo que reduzimos o desperdício alimentar.


Se levarmos a sério a construção de cidades inclusivas, onde todos têm acesso fiável a alimentos, a infraestrutura de Quick Commerce deve ser entendida não apenas como um serviço de conveniência, mas como um parceiro potencial na transformação do funcionamento dos sistemas alimentares urbanos e um apoio para populações vulneráveis. Decisores políticos, organizações de desenvolvimento e agentes do setor privado têm a oportunidade de aproveitar as capacidades únicas das redes de entrega hiperlocais, integrando as plataformas digitais e nas estratégias municipais de combate à fome e investindo em coligações público-privadas que reforcem os sistemas de redistribuição de excedentes alimentares e bens essenciais.


Desafios urbanos


Os desafios urbanos associados à insegurança alimentar exigem uma ação urgente e coordenada. Neste contexto, o Quick Commerce, quando utilizado de forma responsável, pode ir muito além do seu papel comercial tradicional, contribuindo para a construção de infraestruturas urbanas mais resilientes e inclusivas. A questão central já não é se estas plataformas podem gerar um impacto sistémico mas, sim, até que ponto o valor social e ambiental pode ser integrado de forma consistente em cada pedido que é feito nestas plataformas.


 
 
 

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