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Comer menos carne e reduzir a pegada na saúde

2 hours ago
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Escolhas. A alimentação e a saúde estão intimamente ligadas, mas há outra relação importante: a que existe entre as duas e a sustentabilidade do planeta. Do prato à forma como são prestados os cuidados, há decisões que podem fazer a diferença





“Não temos de ser vegetarianos”, mas é preciso comer menos carne. A ideia, defendida por Ângela Morgado, foi uma das questões centrais do painel dedicado à alimentação no Dia Nacional da Sustentabilidade, que decorreu a 25 de setembro em Paço de Arcos. A diretora-executiva da WWF Portugal lembrou que a “alimentação representa cerca de um terço das emissões de gases com efeito de estufa” e argumentou que sem uma alteração da dieta estará em causa a própria preservação da natureza.



O DIA NACIONAL DA SUSTENTABILIDADE

Pelo segundo ano consecutivo celebramos o Dia Nacional da Sustentabilidade com um conjunto de debates. Ao longo do dia 25 de setembro, no evento organizado pelo Expresso e com o apoio da Cimpor, E-Redes, Lidl, ERP Portugal/Novo Verde, Sanofi e Seda Group, os temas foram variados e abrangentes: alimentação, saúde, construção, energia, embalagens e resíduos. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver código de conduta online), sem interferência externa.




Para Vanessa Romeu, diretora de Corporate Affairs do Lidl Portugal, a resposta passa pelo equilíbrio. A chamada dieta da saúde planetária combina diferentes fontes de proteína e uma utilização mais eficiente dos recursos. “Não é deixar, é equilibrar”, resumiu. Mas para que essas mudanças aconteçam as alternativas têm de estar acessíveis. A escolha dos fornecedores e a certificação são algumas das áreas em que estas empresas podem intervir. “Tem de haver uma responsabilidade por parte do retalhista”, disse a diretora de Corporate Affairs.


Mas não há mudança alimentar sem agricultura. Firmino Cordeiro, diretor-geral da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), chamou a atenção para o envelhecimento dos produtores e para a dificuldade em atrair novas gerações. “É preciso apoiar mais os agricultores. A continuar a este ritmo o sector vai definhando”, alegou. É também por isso que a redução do consumo de carne não pode ser vista como uma regra absoluta. Cordeiro rejeitou os “extremismos” e lembrou que em algumas geografias o pastoreio tem um papel importante, nomeadamente como prevenção dos incêndios florestais. Ângela Morgado concordou com essa ressalva, mas manteve o essencial da sua posição: “Se queremos uma natureza próspera, temos mesmo de reduzir a pro­teína animal.”



Reduzir sem comprometer


Já na Saúde, a sustentabilidade obriga a olhar para a forma como os cuidados são prestados, os recursos e o impacto que o sector tem no ambiente. Algumas empresas procuram, por isso, alterar processos sem comprometer a segurança dos produtos. O ecodesign e a redução do plástico nas embalagens foram alguns exemplos dados. Na indústria farmacêutica, a margem para reduzir a pegada existe, mas tem de respeitar uma regra. “A qualidade é inegociável. Se há indústria que é regulada, é a farmacêutica”, sublinhou Helena Freitas, diretora-geral da Sanofi.


Evitar deslocações desnecessárias é outra forma de reduzir recursos. “Em Portugal existem 2900 farmácias espalhadas por todo o país”, afirmou Diana Amaral, da Associação Nacional das Farmácias (ANF), para justificar que a proximidade deste serviço permite resolver algumas situações, como a vacinação. Na gestão dos medicamentos, a dispensa por períodos mais curtos pode também evitar desperdício quando uma prescrição é, entretanto, alterada.


No sistema de Saúde a interoperabilidade foi apontada por Carlos Pinto Rodrigues, vogal do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), como uma maneira de evitar duplicações e utilizar melhor a informação clínica. Segundo ele, as compras do Serviço Nacional de Saúde, pela dimensão que representam, podem ser outra área de intervenção. Neste contexto, Luís Campos, do Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), sugere soluções de reutilização para materiais que acabam em aterro. O excesso de exames foi outra questão colocada por Luís Campos: em termos de rastreio, “um dos poucos exames que se justifica é a colonoscopia, porque há uma relação de custo-benefício”.


Só que a relação entre saúde e ambiente não termina na pegada deixada pelo sector. As alterações climáticas estão também a aumentar a pressão sobre a saúde das populações. Entre 1980 e 2024 houve cerca de 440 mil mortes relacionadas com ondas de calor na Europa, alertou Filipe Duarte Santos. “É necessário adaptarmos as nossas cidades a temperaturas mais altas”, aconselhou o presidente do CNADS — Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.








 
 
 

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