Too Good To Go transforma desperdício em receita e conquista novos clientes
Em sete anos em Portugal, a Too Good To Go ajudou a salvar mais de oito milhões de Surprise Bags e construiu uma comunidade de três milhões de utilizadores e 5000 estabelecimentos. Maria Tolentino, diretora da Too Good To Go em Portugal, explica como a combinação entre poupança e sustentabilidade está a acelerar a adesão à plataforma, a gerar valor para o retalho e a tornar o combate ao desperdício alimentar num fator de diferenciação das marcas.

Que balanço faz dos sete anos da Too Good To Go em Portugal e quais foram os principais marcos?
O balanço é muito positivo. Durante sete anos, a nossa comunidade já salvou mais de oito milhões de Surprise Bags, evitando o desperdício de mais de 8000 toneladas de alimentos. Hoje, contamos com mais de três milhões de utilizadores e mais de 5000 estabelecimentos, desde grandes cadeias de retalho e restauração a pequenos negócios. Nos últimos dois anos, salvámos praticamente a mesma quantidade de alimentos na nossa app que nos primeiros cinco anos no país.
O que permitiu acelerar o crescimento nos últimos dois anos?
Há dois fatores principais que têm impulsionado o crescimento nos últimos anos: a consciência ambiental e o contexto económico. Segundo um dos nossos estudos, oito em cada 10 portugueses têm em conta o impacto ambiental do desperdício alimentar nas suas decisões e nove em cada 10 procuram reduzi-lo devido ao aumento dos preços. Na Too Good To Go, vemos que ambas as motivações, a sustentabilidade e a poupança, coexistem de modo muito claro.
Que impacto económico e ambiental representam os oito milhões de Surprise Bags salvas?
O impacto vai muito além dos alimentos salvos. Conseguimos evitar a emissão de mais de 22 140 toneladas de CO2e e o desperdício de mais de 6600 milhões de litros de água, o equivalente a cerca de 2600 piscinas olímpicas. Além disso, representa uma poupança direta no orçamento das famílias e permite aos estabelecimentos recuperar valor de produtos não vendidos. Tendo em conta todos os recursos e trabalho envolvidos na produção dos alimentos, aproveitar os excedentes é também uma decisão de pura eficiência para os negócios.
Como transforma a Too Good To Go os excedentes alimentares numa oportunidade de negócio?
Partimos de uma ideia simples: o alimento mais caro é o desperdiçado. E porque o produto não vendido ainda tem valor, a nossa plataforma liga esse excedente a consumidores. Através das Surprise Bags vendidas a um preço mais acessível, o parceiro converte uma potencial perda numa receita. Além disso, ganha visibilidade junto de novos clientes que, depois de descobrirem o espaço, acabam por regressar.
“Através das Surprise Bags vendidas a um preço mais acessível, o parceiro converte uma potencial perda numa receita”
Que retorno concreto obtêm os parceiros em vendas, novos clientes e reputação?
Além de recuperarem parte do valor dos excedentes, os parceiros podem captar novos clientes. Segundo os nossos dados em Portugal, 25% dos utilizadores que chegam através da app são novos clientes para o estabelecimento, 24% fazem outras compras na loja quando recolhem a Surprise Bag, e 75% afirmam que voltariam a visitar o estabelecimento. Existe também um benefício reputacional, uma vez que os consumidores valorizam cada vez mais as empresas que demonstrem, através de ações concretas, o seu compromisso ambiental.
O que explica o crescimento de 35% dos parceiros de retalho em 2025?
Existe uma combinação de sustentabilidade e eficiência. O retalho está cada vez mais consciente, tanto das expectativas dos consumidores, como do custo que representa desperdiçar alimentos. E a Too Good To Go é uma solução simples de integrar na operação diária de qualquer negócio: no final do dia, o estabelecimento prepara as Surprise Bags com os excedentes que disponibiliza através da app e os utilizadores vão recolhê-las. É uma forma prática de transformar um problema ou desafio numa oportunidade.
Atualmente, pesa mais na decisão do consumidor a poupança ou o compromisso ambiental?
Creio que ambas estão cada vez mais ligadas. O consumidor procura poupar, mas também quer que as suas decisões tenham um impacto positivo. De facto, oito em cada 10 portugueses estariam dispostos a mudar de supermercado para outro com políticas ativas contra o desperdício alimentar, segundo um dos nossos estudos. Isto demonstra que a sustentabilidade está a tornar-se um critério de consumo e pode também ser um elemento de diferenciação para as marcas.
O que devem os retalhistas mudar perante consumidores dispostos a trocar de supermercado por políticas contra o desperdício?
Sobretudo, agir e comunicar de forma clara aquilo que já estão a fazer. O retalho tem vindo a desenvolver muitas iniciativas, mas estas nem sempre chegam ao consumidor: um em cada três considera que as empresas não comunicam o suficiente sobre as suas ações contra o desperdício. É importante explicar o que está a ser feito e, sobretudo, demonstrar os resultados e o impacto gerado. O consumidor atual procura ações concretas e resultados visíveis, não apenas compromissos.
Quais são as prioridades da Too Good To Go para os próximos anos em Portugal?
A nossa prioridade é acelerar a redução do desperdício em Portugal. Queremos continuar a expandir a nossa comunidade de parceiros e utilizadores em todo o país, disponibilizando-lhes soluções simples para aproveitarem melhor os excedentes. No final, quanto maior for a adesão de negócios e pessoas, mais alimentos salvamos e maior é o impacto positivo que conseguimos gerar.
“Queremos continuar a expandir a nossa comunidade de parceiros e utilizadores em todo o país”




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