Será que a Too Good To Go compensa? Testámos em supermercados e padarias, fizemos as contas... e temos respostas
- 1 day ago
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A VERSA foi desafiada a usar a app Too Good To Go e conta-te tudo. Também aproveitámos para falar com Maria Tolentino, a Country Manager da Too Good To Go em Portugal, sobre os hábitos dos portugueses no que diz respeito ao desperdício alimentar.

Muitos podem não acreditar, mas adotar hábitos sustentáveis ajuda a poupar algum dinheiro e, ao mesmo tempo, a ser mais amigo do ambiente. Por exemplo, ao fazer compras em lojas de segunda mão ou de velharias, onde os preços são, normalmente, mais baixos, estamos a estimular a economia circular, evitando que mais produtos sejam produzidos.
Também existem formas simples de poupar na alimentação e reduzir o desperdício alimentar. Foi, aliás, esse o desafio que a VERSA aceitou por parte da Too Good To Go, aplicação móvel que tem a missão de evitar que os alimentos vão para ao lixo, através de uma rede de diferentes negócios — desde supermercados, cafés e restaurantes a padarias — que criam surprise bags recheadas de produtos que ainda estão perfeitos para consumo, mas que seriam descartados devido a algumas políticas relacionadas com os prazos de validade, por exemplo.
Entregaram-nos um voucher de 20€ que conseguimos usar em quatro compras entre os meses de abril e maio. Como foi a experiência? Não podemos dizer que foi perfeita, mas, com pequenos ajustes esteve quase lá. Explicamos tudo.
No centro de Lisboa existem várias possibilidade, no que à Too Good To Go diz respeito, mas decidimos começar pelo mais essencial: o supermercado. Escolhemos um MyAuchan que tinha uma surprise bag a €2,99 e que estava avaliada pela app num valor que ultrapassava os €10.
Com a hora de recolha ao início da noite, altura em que a loja se preparava para fechar, esperamos ansiosamente pela nossa primeira compra. Recebemos uma quantidade generosa de artigos, a maioria com etiquetas a alertar para o final próximo do prazo de validade, algo que esperávamos.
Para casa levámos produtos versáteis e fáceis de usar para as refeições dos próximos dias como canja, delícias do mar congeladas, bolachas, queijo fresco, iogurtes, um bolo de brigadeiro e ainda um pacote de leite — o único artigo que deu problemas porque já estava mesmo fora do prazo, mas com uma rápida conversa com o apoio ao cliente o assunto foi resolvido e parte do dinheiro devolvido.
Usámos ainda a aplicação para "salvar" uma pizza individual da Telepizza depois do almoço por apenas €4,19. Chegou quente às nossas mãos e foi um snack perfeito para a tarde.
Contas feitas, em abril, conseguimos poupar €13, ao fazer compras num valor de €20 e pagando, na realidade, apenas €7.
Em maio regressámos à aplicação com vontade de encher a despensa com pão e pastelaria e, por isso, reservámos uma surprise bag por €5,99, a mais cara até ao momento, no Copenhagen Coffee Lab & Bakery.
De lá trouxemos uma boa quantidade de pão que conseguimos comer ao longo da semana pela manhã, mas também sanduíches que acabaram por ser o jantar e ainda alguns produtos de pastelaria, como cinnamons rolls, um favorito deste café, como sobremesa ou pequeno-almoço no dia seguinte.
Quando os mantimentos deste café acabaram, escolhemos gastar o que restava do voucher na Padaria Portuguesa, na esperança de termos mais pequenos-almoços garantidos. Por exatamente o mesmo preço, €5,99, chegamos a casa com vários sacos cheios de pães inteiros fatiados que conseguimos usar no momento, nos dias seguintes e ainda congelar para mais tarde.
Para além do pão, ainda trouxemos duas fatias de bolo, um brigadeiro e um red velvet, assim como uma empada e uma queijada.
Sendo assim, em maio conseguimos poupar €15, ao comprar produtos no valor de €27 por apenas €12. Matemática simples. Isto significa que em quatro compras, em dois meses, acabamos por poupar quase €30, especialmente em supermercado e padaria.
Mas, atenção, não testamos só a aplicação. Também falámos com Maria Tolentino, a Country Manager da Too Good To Go em Portugal, sobre os hábitos dos portugueses.
Como medem o impacto real da aplicação na redução do desperdício alimentar em Portugal?
O desperdício alimentar em Portugal continua a ser um desafio expressivo, com cerca de 1,9 milhões de toneladas de alimentos desperdiçadas todos os anos. Na Too Good To Go, combatemos este cenário ao transformar o excedente em impacto positivo. Desde o nosso lançamento no país, a comunidade de utilizadores e estabelecimentos parceiros em Portugal já salvou mais de 7,7 milhões de Surprise Bags, o que evitou diretamente o desperdício de mais de 7.700 toneladas de comida.
Cada refeição salva importa. Em média, cada Surprise Bag ajuda a evitar 2,7 kg de emissões de CO₂e, poupa 810 litros de água e evita a utilização desnecessária de 2,5 m² de solos agrícolas. No total, este esforço coletivo já evitou mais de 20.790 toneladas de CO₂e (o equivalente a mais de 3.600 voos de volta ao mundo) e poupou mais de 6,2 mil milhões de litros de água, o suficiente para encher 2.490 piscinas olímpicas. Para nós, estes números demonstram o poder da ação coletiva. Cada Surprise Bag salva por um consumidor e cada refeição excedentária disponibilizada por uma empresa contribuem para reduzir o desperdício alimentar e para criar um impacto positivo e mensurável no planeta.
O que ainda está a falhar? Onde é que a app ainda não chega?
Na Too Good To Go, focamo-nos sempre no futuro e nas oportunidades para salvar mais comida. Seja através de novas ferramentas, parcerias ou da expansão para novas áreas (como a nossa mais recente categoria de alimentação para animais de estimação), procuramos constantemente ir mais além do retalho tradicional e da hotelaria
Mas o maior desafio não é uma questão de funcionalidade da app: é a mudança cultural. Transformar hábitos leva tempo. A tecnologia torna a sustentabilidade mais simples, mas o impacto duradouro exige o compromisso de todos: cidadãos, marcas e instituições. O potencial para crescer é gigante. Queremos que mais empresas e consumidores se juntem a este movimento, porque cada novo parceiro e cada alimento salvo contam. Quanto mais pessoas integrarem o combate ao desperdício alimentar na sua rotina, maior será o impacto positivo que criaremos juntos pelo planeta. Estamos constantemente a idealizar novas categorias de alimentos que precisam de ser salvos. A oportunidade que temos pela frente continua a ser gigante e é precisamente isso que nos inspira e motiva todos os dias.
Há dados ou histórias que te tenham surpreendido sobre o comportamento dos portugueses?
A dedicação e entrega dos portugueses nunca deixa de nos surpreender. Há histórias reais na nossa comunidade que mostram bem o impacto de mudar rotinas. E o melhor exemplo é o de um utilizador recordista que, ao longo de um único ano (2024), conseguiu salvar, no país, 1.013 Surprise Bags. Quando olhamos para a vertente económica, o resultado é incrível: esta escolha permitiu-lhe poupar cerca de 7.500 euros.
Mas o impacto vai muito além da carteira. Com este gesto consistente, este cidadão português evitou que mais de uma tonelada de alimentos fosse desperdiçada, poupando ao planeta a emissão de 2.735 kg de CO₂e. Para termos uma escala real do benefício ecológico, esta pegada equivale a fazer cinco viagens de avião de ida e volta entre Lisboa e Londres.
Ver utilizadores tão empenhados enche-nos de alegria. Este caso prova que o hábito diário de salvar comida gera uma poupança financeira fantástica, ao mesmo tempo que constrói um futuro muito mais sustentável.
Sentes que os portugueses aderem mais por poupança ou por consciência ambiental?
Acreditamos que a motivação dos utilizadores portugueses reside num equilíbrio perfeito entre estes dois fatores, que se complementam de forma muito natural. Por um lado, há uma consciência ambiental crescente, ou seja, os portugueses valorizam muito a gastronomia e compreendem, cada vez mais, o impacto invisível que o desperdício alimentar tem nos recursos do planeta. Salvar comida é visto como um ato de responsabilidade ecológica partilhada.
Por outro lado, o benefício económico é um argumento prático e imediato extremamente forte. A Too Good To Go permite aceder a alimentos de excelente qualidade a uma fração do preço original, o que faz com que a sustentabilidade faça sentido também para o orçamento familiar. No fundo, o sucesso em Portugal mostra que as pessoas aderem ao movimento porque este une o útil ao agradável: permite poupar dinheiro no dia-a-dia enquanto se faz parte de uma comunidade que gera um impacto positivo tangível.
"Desperdiçar comida é deitar dinheiro fora"
Que diferenças notas entre Portugal e outros países onde a Too Good To Go opera?
Mais do que comparações internacionais, o que nos orgulha é o incrível compromisso dos portugueses. Hoje, e no território, mais de 2,7 milhões de pessoas já usam a Too Good To Go, o que equivale a mais de um quarto da população do país a lutar contra o desperdício alimentar através de escolhas simples no dia-a-dia.
Este sucesso liga-se diretamente à nossa cultura: em Portugal, a comida é sinónimo de partilha, união e celebração. Por isso, há um respeito enorme pelos alimentos e uma certeza partilhada de que a boa comida deve ser aproveitada e nunca desperdiçada.
É inspirador ver como salvar comida se transformou num hábito diário natural. Os consumidores perceberam que podem comer bem, poupar ao final do mês e proteger o planeta ao mesmo tempo. Esta comunidade, em crescimento, lidera uma mudança significativa, refeição a refeição.
Há algum mito sobre desperdício alimentar em Portugal que gostavas de desmontar?
Um dos principais mitos que queremos desmistificar é a ideia de que, ao desperdiçar comida, apenas se perde o alimento em si. Na realidade, deitar comida fora significa desperdiçar todos os recursos investidos na sua produção: a água, a energia, o solo, a mão de obra e o capital financeiro. O desperdício alimentar é não só um problema económico como também ambiental, embora estes impactos nem sempre sejam visíveis para os consumidores.
Produzir, por exemplo, um único abacate exige (sensivelmente) a mesma quantidade de água que correria de uma torneira aberta durante vinte minutos. Ninguém deixaria uma torneira a correr sem necessidade, mas quando a comida é desperdiçada, raramente associamos o gesto aos recursos ocultos.
O mesmo se aplica ao orçamento familiar. Desperdiçar comida é deitar dinheiro fora. Alertar para estes custos invisíveis é essencial para que a sociedade volte a valorizar os alimentos.




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