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Produção mundial de alimentos de origem animal dispara em seis décadas, diz FAO BR

  • 7 hours ago
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Relatório mostra que carne de aves cresceu cinco vezes desde 1961, enquanto ovos e carne suína dobraram; Brasil e Portugal figuram entre grandes produtores; países africanos lusófonos e Timor-Leste enfrentam consumo baixo, preços elevados e dependência de importações.





A produção mundial de alimentos de origem animal terrestres disparou nas últimas seis décadas, com destaque para ovos, aves e carne suína.


Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, a pecuária se consolidou como um dos setores agrícolas de maior crescimento, transformando padrões de consumo e levantando novos desafios ambientais e sociais.


Contrastes de consumo

O novo relatório da FAO aponta que o aumento da oferta per capita foi impulsionado principalmente por três produtos: ovos, carne de aves e carne suína.


Entre 1961 e 2022, a oferta global de alimentos de origem animal aumentou rapidamente. A carne de aves registrou o crescimento mais acentuado, já a carne bovina manteve-se estável ou em queda em várias regiões.


© FAO/Antonello Proto A pecuária é a espinha dorsal da economia rural do Sudão, fornecendo a milhões de pessoas segurança alimentar e nutricional, renda e meios de subsistência
© FAO/Antonello Proto A pecuária é a espinha dorsal da economia rural do Sudão, fornecendo a milhões de pessoas segurança alimentar e nutricional, renda e meios de subsistência

Em 2022, a produção mundial de carne chegou a 361 milhões de toneladas, contra 71 milhões em 1961. A produção de leite alcançou 930 milhões de toneladas e a de ovos, 94 milhões.


Nos países lusófonos, os contrastes são marcantes. Brasil e Portugal figuram entre os grandes produtores e consumidores globais, enquanto na África e em Timor-Leste o acesso a carne, leite e ovos é limitado, marcado por preços elevados e dependência de importações.



Mercado europeu


O Brasil se destaca como um dos principais exportadores de carne bovina e de frango, além de estar entre os maiores produtores de leite.


Essa posição reforça sua relevância global, mas expõe desafios ambientais, como desmatamento e emissões de gases de efeito estufa.


Portugal, inserido no mercado europeu altamente regulado, apresenta consumo per capita elevado e forte presença de produtos processados.


Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste enfrentam baixa oferta e consumo estagnado.


Grande parte da comercialização ocorre em mercados informais, sem cadeia de frio adequada, o que aumenta os riscos à segurança alimentar.


Nessas regiões, o preço elevado torna os alimentos de origem animal inacessíveis para muitas famílias, sobretudo rurais. A pequena produção doméstica de galinhas e cabras é essencial para complementar a dieta e gerar renda.


© FAO/Believe Nyakudjara Galinhas são um recurso econômico e nutricional amplamente mantido na África rural e são frequentemente manejadas por mulheres.
© FAO/Believe Nyakudjara Galinhas são um recurso econômico e nutricional amplamente mantido na África rural e são frequentemente manejadas por mulheres.

Desperdício de alimentos


O relatório destaca ainda que cerca de um terço de todos os alimentos produzidos globalmente é perdido ou desperdiçado. Dentre eles, 14% são de origem animal terrestres.


As perdas estão associadas à perecibilidade, à infraestrutura precária e ao controle de temperatura, tendo mais impacto em países de baixa e média renda.


Embora o comércio internacional tenha crescido, ele representa apenas cerca de 10% do consumo global de alimentos de origem animal.


Para a FAO, o setor pecuário enfrenta desafios urgentes: desmatamento, mudanças no uso da terra, emissões de gases de efeito estufa, uso insustentável da água e da terra.


Questões de saúde pública e bem-estar animal também preocupam, incluindo os riscos de doenças zoonóticas decorrentes da interação entre humanos e animais de criação.




 
 
 

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