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Sustentabilidade: a chave do nosso futuro!

O crescimento populacional e a melhoria global das condições socioeconómicas levaram a que as questões inerentes à alimentação humana se tornassem um fator determinante para um desenvolvimento sustentável


Jornal Centro


Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU), em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), definiu dezassete Objetivos para um Desenvolvimento Sustentável (ODS), a atingir em 2030. Houve assim um reconhecimento público e global da necessidade de intervenção de todos os países tanto na erradicação da pobreza, como na melhoria da saúde e da educação, na redução de iniquidades e no crescimento económico, a par do combate às alterações climáticas e da preservação dos oceanos e florestas. A sustentabilidade foi, portanto, reconhecida como um desafio transversal às nações e uma questão global de saúde pública.


O crescimento populacional e a melhoria global das condições socioeconómicas levaram a que as questões inerentes à alimentação humana se tornassem um fator determinante para um desenvolvimento sustentável. Assim, as dietas sustentáveis, descritas como “dietas que protegem e respeitam a biodiversidade e os ecossistemas, culturalmente aceitáveis, acessíveis e economicamente justas; nutricionalmente adequadas, seguras e saudáveis; ao mesmo tempo otimizando recursos naturais e humanos” são um desafio para o futuro. Este desafio vai muito além das escolhas alimentares individuais, uma vez que a mudança do atual paradigma alimentar poderá simultaneamente reduzir o impacto ambiental da produção, do consumo, e também reduzir o impacto na saúde que a atual dieta ocidental (a mais proeminente nos dias correntes) adquiriu, contribuindo para um aumento global dos fatores de risco para morbilidade e mortalidade em todo o mundo. A produção alimentar sustentável e, consequentemente, o volume de alimentos produzido e recursos necessários para os produzirem influenciam grandemente a sustentabilidade. Estima-se que, em 2018, os sistemas de agricultura foram responsáveis pela emissão de 44 milhões de toneladas de amónia, estando estas associadas a 537?000 mortes prematuras atribuídas à emissão de partículas finas. Portanto, não é apenas o gado, pela emissão de gás metano e amónia, o único responsável pela poluição ambiental associada à produção alimentar, tendo o tipo de agricultura aplicado grande influência no ambiente.

Por outro lado, existe igualmente o desperdício alimentar e estima-se que cerca de um terço dos alimentos produzidos se estraguem ou sejam desperdiçados. Em Portugal, ao nível doméstico, calcula-se que sejam desperdiçados cerca de 84 kg/capita/ano de alimentos, o que equivalem a cerca de 861?838 toneladas/ano.


Assim, o conceito de alimentação sustentável, para além da alimentação per se, engloba também as componentes social, económica e ambiental, ou seja, tem em consideração a quantidade de água despendida, o bem-estar animal, a segurança alimentar, o local de produção, a sazonalidade dos produtos e as condições de trabalho adequadas.


Todos os anos, o Dia da Sobrecarga da Terra, a data a partir da qual as necessidades pelos recursos ecológicos do planeta excedem a capacidade de regeneração dos ecossistemas, acontece mais cedo. Em 2022, este Dia aconteceu a 28 de julho, significando que desde essa data que vivemos a “crédito” do planeta, vivendo para além da capacidade ecológica do planeta.


O conhecimento, sendo o ponto-chave para a mudança, tem impacto na perceção da realidade e influencia a capacidade de agir. Assim, a literacia da população assume um papel fulcral no cumprimento dos ODS e na generalidade da promoção da sustentabilidade.


É necessária uma consciencialização de todas as gerações para estes problemas de modo a colmatar falhas e prevenir o declínio acentuado dos recursos do planeta. É indispensável intervir na comunidade e mobilizá-la para a adoção de hábitos e estilos de vida sustentáveis.


|Fonte: Jornal Centro, 2 Dezembro 2022

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