Larvas da mosca-soldado-negra podem ajudar a criar proteínas mais sustentáveis para consumo humano (vídeo)
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O projeto, desenvolvido em parceria com a Australian Superintendence Company (ASC), a Mobius Farms e a Fly Farm Australia, investiga de que forma diferentes resíduos agrícolas podem ser utilizados para alimentar as larvas, permitindo produzir uma biomassa rica em proteínas e outros compostos de interesse nutricional.

As larvas da mosca-soldado-negra (Hermetia illucens), atualmente utilizadas sobretudo na alimentação animal e na valorização de resíduos orgânicos, poderão vir a desempenhar um papel importante na produção de proteínas sustentáveis para consumo humano. A conclusão resulta de um estudo liderado pela Universidade de Adelaide, na Austrália, que está a avaliar o potencial nutricional e a segurança alimentar destes insetos.
O projeto, desenvolvido em parceria com a Australian Superintendence Company (ASC), a Mobius Farms e a Fly Farm Australia, investiga de que forma diferentes resíduos agrícolas podem ser utilizados para alimentar as larvas, permitindo produzir uma biomassa rica em proteínas e outros compostos de interesse nutricional.
Nesta fase inicial, as larvas utilizadas na investigação foram criadas em condições comerciais controladas e alimentadas com subprodutos agrícolas. No entanto, os investigadores sublinham que estes sistemas diferem daqueles exigidos para a produção de insetos destinados ao consumo humano, que estão sujeitos a normas de segurança mais rigorosas.
Os primeiros resultados indicam que o teor de proteína das larvas é comparável ao de fontes convencionais de carne. Além disso, apresentam um perfil lipídico que inclui ácidos gordos ómega-3 e ómega-6, considerados benéficos para a saúde.
Segundo os investigadores, a abordagem responde simultaneamente a dois desafios globais: a necessidade de reduzir o desperdício agrícola e o aumento da procura por fontes alternativas de proteína. Estima-se que, até 2050, a procura mundial de proteínas aumente cerca de 70%.
Sam Mallard, investigador de doutoramento envolvido no projeto, afirma que diversificar as fontes de proteína será essencial para responder ao crescimento da população mundial de forma sustentável.
“Durante muito tempo, dependemos da produção pecuária tradicional como principal fonte de proteína. Mas, com o crescimento da população, precisamos de sistemas capazes de satisfazer essa procura de forma mais eficiente e sustentável”, explica, citado em comunicado.
O investigador acrescenta que, sem alternativas, poderão aumentar os preços dos alimentos, intensificar-se a pressão ambiental e agravar-se a vulnerabilidade dos sistemas alimentares.
As larvas são alimentadas com diferentes resíduos agrícolas, incluindo bagaço de azeitona, bagaço de uva proveniente da produção de vinho, cascas de banana fermentadas e outros subprodutos da agricultura. A composição nutricional das larvas varia consoante a sua alimentação, permitindo adaptar o perfil proteico da biomassa produzida.
Além do elevado valor nutricional, as larvas apresentam vantagens ambientais face à pecuária convencional. Requerem pouco espaço para produção, não emitem metano como os bovinos e contribuem para a valorização de resíduos orgânicos que, de outra forma, poderiam acabar em aterro.
A segurança alimentar constitui outra das prioridades da investigação. A equipa está a monitorizar a eventual transferência de contaminantes presentes nos resíduos agrícolas para a biomassa produzida pelas larvas, incluindo metais pesados, resíduos de pesticidas e toxinas naturais.
O investigador principal, Permal Deo, sublinha que qualquer proteína destinada ao consumo humano terá de cumprir exigentes critérios de segurança alimentar.
Os dados recolhidos deverão contribuir para o desenvolvimento de normas nacionais de controlo e orientações para o setor, facilitando uma futura aprovação regulamentar e a aceitação destes ingredientes pelo mercado australiano.
Apesar de os investigadores considerarem improvável que insetos inteiros cheguem aos supermercados num futuro próximo, admitem que proteínas derivadas de larvas, sob a forma de pós ou ingredientes incorporados em alimentos já existentes, poderão tornar-se uma realidade nos próximos anos.
A investigação é financiada pelo National Industry PhD Program, uma iniciativa do Governo australiano destinada a promover projetos de inovação em colaboração com a indústria.




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