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Hábitos à mesa refletem menor poder económico em Portugal. Metade das famílias cozinha diariamente

  • 13 hours ago
  • 3 min read

O estudo "Cooking and Eating", da Ikea, revela ainda que 55% dos portugueses jantam às 20h e demonstram maior preocupação com o desperdício de água face aos restantes países.


Eco Sapo


Quase metade dos portugueses cozinha em casa mais de sete vezes por semana, um valor que mais do que duplica a média global. De acordo com um estudo da Ikea, divulgado esta terça-feira, 49% dos inquiridos em Portugal referem cozinhar diariamente, face a 23% a nível mundial, um dado que reflete a menor capacidade económica para recorrer com frequência à restauração.


As conclusões constam do estudo global “Cooking and Eating”, que auscultou 31.339 participantes em 31 países, e revelam também fortes desigualdades de género na gestão das refeições. Em Portugal, as mulheres continuam a assumir a maioria das tarefas relacionada com a cozinha. 68% planeiam as refeições, 63% decidem o que comprar, 58% fazem as compras e 62% cozinham ou preparam as refeições, percentagens muito superiores às dos homens. A limpeza após as refeições é igualmente mais assegurada por mulheres (45%), face a 34% dos homens.



O estudo traça ainda um retrato das casas portuguesas, onde o espaço dedicado às refeições é mais limitado. Mais de metade dos portugueses (55%) faz as refeições à mesa da cozinha, acima da média global de 44%, o que evidencia habitações mais pequenas e a ausência de áreas específicas para comer. A sensibilidade ao preço dos alimentos na hora de comprar surge como uma das características mais marcantes do quotidiano. Em Portugal, 61% dos consumidores privilegiam o preço nas compras e 59% recorrem a cupões ou promoções, valores significativamente acima da média global, fixada nos 44% em ambos os casos.



Também os horários das refeições refletem dificuldades na conciliação entre vida profissional e pessoal. Segundo o estudo, que recolheu as amostras entre agosto e setembro de 2025, o jantar acontece, em média, às 19h59, mais de uma hora depois da média global. Cerca de 55% dos portugueses janta às 20h, o horário mais comum no país, quando apenas 16% da população mundial o faz a essa hora. No total, 73% dos portugueses jantam entre as 19h e as 21h.


“Este estudo permite-nos compreender de forma mais profunda a realidade das famílias portuguesas e os desafios concretos que enfrentam no seu dia-a-dia. Na Ikea, acreditamos que todos devem ter acesso a uma casa funcional e acolhedora, onde seja possível preparar refeições, partilhar momentos à mesa e viver melhor, independentemente do orçamento. Por isso, continuamos empenhados em oferecer soluções práticas e acessíveis para a cozinha e sala de jantar, que facilitem as rotinas diárias e tornem os momentos à mesa mais agradáveis”, explica Cláudia Domingues, diretora de comunicação na Ikea Portugal.



Televisão continua a ser uma companhia para jantar

Durante décadas, a rádio foi a principal companhia das famílias portuguesas à hora das refeições, numa época em que a televisão ainda não fazia parte do quotidiano doméstico. Com o passar dos anos, o televisor entrou progressivamente nos lares e manteve-se até aos dias de hoje, continuando a desempenhar um papel relevante, mesmo deixando de ser uma novidade.


A televisão continua, assim, a marcar presença à mesa. De acordo com o estudo, 62% dos portugueses veem televisão quando comem sozinhos e 52% mantêm o aparelho ligado durante as refeições em família, percentagens superiores às registadas a nível global, 54% e 40% respetivamente.



Qual a preocupação dos portugueses no tema da sustentabilidade?

Numa altura em que o país tem enfrentado tempestades severas, com ventos fortes e chuva persistente que têm provocado cheias, torna-se cada vez mais importante refletir sobre temas relacionados com a sustentabilidade, diretamente ligados ao facto de estes fenómenos se tornarem mais extremos e frequentes.


O estudo revela vários dados que permitem analisar os hábitos dos portugueses nesta área. Entre as práticas que exigem maior esforço, destaca-se a preocupação com a poupança de água, adotada por 66% dos portugueses, um valor superior à média global (51%). Segue-se o não desperdício alimentar (65%, face a 63% da média global) e a utilização de sacos reutilizáveis (58%, comparado com 55% a nível global).


Por outro lado, existem comportamentos que registam menor adesão. Apenas 16% dos portugueses cultivam a sua própria comida. A redução do consumo de laticínios é praticada por 17%, acima da média global (11%), enquanto a redução do consumo de carne é adotada por 24%, ligeiramente abaixo da média global (26%).


 
 
 

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