Projeto contra desperdício alimentar já salvou mais de duas toneladas de comida em Águeda
Mais de duas toneladas de alimentos foram desviadas do lixo em Águeda desde maio, através de um projeto municipal de combate ao desperdício alimentar que já ultrapassou as sete mil embalagens utilizadas. A iniciativa começa agora a ganhar projeção além do concelho, depois de ter sido reconhecida a nível europeu e de despertar o interesse [...]

Mais de duas toneladas de alimentos foram desviadas do lixo em Águeda desde maio, através de um projeto municipal de combate ao desperdício alimentar que já ultrapassou as sete mil embalagens utilizadas. A iniciativa começa agora a ganhar projeção além do concelho, depois de ter sido reconhecida a nível europeu e de despertar o interesse de outros municípios, nacionais e internacionais.
O projeto “Águeda + Verde | Sem Desperdício” arrancou com uma fase piloto envolvendo 22 estabelecimentos de restauração localizados no centro da cidade. O princípio é simples: disponibilizar gratuitamente aos clientes embalagens onde podem levar os alimentos que não consumiram durante a refeição.
Desde o início da iniciativa foram utilizadas mais de sete mil embalagens, correspondendo, segundo os dados do Município de Águeda, a uma estimativa de cerca de 2.100 quilos de alimentos que puderam ser consumidos posteriormente, em vez de serem descartados.
“São mais de duas toneladas de alimentos que não foram para o lixo. São recursos que foram valorizados, refeições que foram aproveitadas e, sobretudo, comportamentos que começam a mudar”, afirma Edson Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda, responsável pelo pelouro do Ambiente, Ecologia, Sustentabilidade e Ação Climática.
O responsável destaca precisamente a simplicidade da medida como um dos pontos fortes do projeto. Em vez de exigir alterações profundas nos hábitos dos consumidores ou dos restaurantes, a iniciativa procura facilitar uma prática que permite aproveitar alimentos que já foram confecionados e pagos.
“O projeto não exige uma mudança radical de comportamentos, mas dá às pessoas uma solução prática para aproveitarem aquilo que já foi produzido e pago. É uma pequena ação individual que, multiplicada por milhares de pessoas, pode ter um impacto ambiental muito significativo”, sustenta Edson Santos.
AgitÁgueda alargou dimensão da iniciativa
O projeto ganhou maior expressão durante a edição deste ano do AgitÁgueda – Art Festival, um dos eventos que concentra maior número de visitantes no concelho.
As 36 associações que participaram no espaço de restauração do festival aderiram à iniciativa, tendo sido distribuídas mais de 1.800 embalagens durante o evento. A presença no AgitÁgueda permitiu, assim, levar a mensagem de combate ao desperdício alimentar a um universo significativamente maior de consumidores.
Os resultados obtidos desde maio e a adesão registada entre estabelecimentos e clientes são considerados positivos pela autarquia, que aponta a reutilização de cerca de 2,1 toneladas de alimentos como um dos indicadores do impacto conseguido nesta primeira fase.
Projeto de Águeda desperta interesse de outros municípios
A experiência desenvolvida em Águeda começa também a ser observada fora do concelho.
A iniciativa foi destacada pela Comissão Europeia através da rubrica “Green Cities Spotlights”, dedicada à divulgação de projetos e boas práticas ambientais implementadas por cidades europeias.
O “Águeda + Verde | Sem Desperdício” foi igualmente reconhecido pelo programa Bandeira Verde ECOXXI como uma boa prática municipal na área da sustentabilidade e do combate ao desperdício alimentar.
A projeção alcançada está, segundo a Câmara de Águeda, a gerar contactos de municípios e outras entidades, tanto em Portugal como no estrangeiro, interessados em conhecer o funcionamento do projeto e avaliar a possibilidade de replicar o modelo nos respetivos territórios.
“É muito significativo perceber que uma iniciativa pensada e implementada localmente esteja a despertar interesse fora de Águeda. O nosso objetivo era combater o desperdício alimentar e aplicar o que consideramos uma boa prática, mas se esta experiência inspirar outros municípios e contribuir para uma mudança mais alargada, tanto melhor”, refere Edson Santos.
A iniciativa decorre num ano particularmente ligado às políticas ambientais do concelho, uma vez que Águeda detém em 2026 o título European Green Leaf – Cidade Verde Europeia.
Com mais de sete mil embalagens já utilizadas, 22 restaurantes envolvidos na fase piloto e cerca de 2.100 quilos de alimentos reaproveitados, o projeto procura demonstrar que medidas relativamente simples podem produzir resultados mensuráveis na redução do desperdício alimentar.
A experiência ganha também uma dimensão que ultrapassa Águeda: o interesse manifestado por outras autarquias poderá transformar uma iniciativa iniciada à escala local num modelo replicado noutros concelhos, incluindo na região da Bairrada.




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