Escola Aprendizes leva cozinha sem desperdício e reflexão sobre a escola do futuro à Cidade do Zero

No dia 20 de setembro, a Aprendizes, escola internacional localizada em Cascais, marca presença no evento Cidade do Zero, em Lisboa, com um show cooking sobre aproveitamento integral dos alimentos e uma mesa-redonda sobre educação e sustentabilidade
É já no próximo domingo, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, que a escola internacional Aprendizes (Cascais) marca dupla presença na Cidade do Zero (o maior evento de sustentabilidade do país): a Chef Joana Xardoné, responsável pela cozinha da escola (uma cozinha sem desperdício, 100% biológica e construída em torno de parceiros locais), apresenta uma sessão de show cooking sobre aproveitamento integral dos alimentos, e Eunice Maia, diretora pedagógica da escola, participa numa mesa-redonda sobre o papel da escola do futuro. As duas atividades são de entrada livre e não é necessária inscrição.
Show cooking: aprender a desperdiçar menos
Pelas 10h30, Joana Xardoné apresenta uma sessão de show cooking dedicada à redução do desperdício alimentar. A Chef confeciona diariamente refeições para cerca de 550 estudantes da escola Aprendizes, onde a cozinha funciona como extensão da sala de aula: os alimentos usados nas refeições diárias têm origem local, biológica e sazonal, incluindo produtos da própria horta da escola. Na Cidade do Zero, vai preparar uma receita sazonal ao vivo, explorando técnicas de aproveitamento integral e partilhando sugestões práticas para reduzir o desperdício alimentar no dia a dia. De recordar que, em Portugal o desperdício alimentar continua a ser um problema estrutural. Segundo dados do dados do Instituto Nacional de Estatística, relativos a 2024, cada português desperdiçou mais de 161,2 kg de alimentos.
Mesa-redonda: que escola para o futuro?
Pelas 12h, Eunice Maia junta-se a representantes da Fundação Mendes Gonçalves e da Educa-te numa mesa-redonda que discute o papel da escola num mundo marcado pela crise climática, pelas desigualdades sociais e por profundas transformações tecnológicas e culturais. Da tradição humanista à aprendizagem ativa, passando pela inovação pedagógica e pela promoção da leitura, a conversa procura perceber como formar cidadãos mais autónomos, responsáveis, participativos e atentos ao mundo que os rodeia, abordando temas como o pensamento crítico, a educação para a cidadania e para a sustentabilidade, a relação entre escola, famílias e território, o contacto com a natureza e o papel dos espaços educativos no bem-estar e na aprendizagem das crianças.
Na escola Aprendizes, esta dupla presença, na cozinha e no debate, reflete um mesmo princípio educativo: ligar aprendizagem, sustentabilidade e cidadania dentro e fora da sala de aula, através da experiência.
Alguns dos alimentos que chegam à cozinha da Aprendizes são provenientes da horta e do pomar mantidos pelos próprios estudantes.
Da horta à cozinha: um ciclo sustentável
O desperdício zero na cozinha da Aprendizes começa antes de qualquer refeição ser confecionada, na horta da escola. André Maciel, especialista em agricultura biológica e responsável pela horta da escola, dinamiza aulas da horta e promove a utilização dos biorresíduos da cozinha na compostagem, fechando um ciclo que envolve alunos, colaboradores e famílias. O processo culmina na produção de legumes e verduras utilizados nas refeições da escola e disponibilizados à comunidade nos Biomarkets da Aprendizes.
O combate ao desperdício continua na cozinha. Cascas, talos e folhas são reaproveitados na preparação das refeições. As sobras seguem para compostagem e para os animais da escola. Quando há comida confecionada a mais, esta é disponibilizada à equipa. Atualmente, estas práticas estão a ser estudadas no âmbito de um projeto europeu, que pretende reunir soluções aplicáveis a outras escolas da União Europeia.
A alimentação faz parte do projeto educativo da escola desde o pré-escolar até ao secundário. Os menus, de base vegetal e mediterrânica, privilegiam alimentos biológicos, frescos e, sempre que possível, locais, nalguns casos provenientes da horta e do pomar mantidos pelos próprios estudantes.
"Trabalhamos muito o sabor: combinamos especiarias, ervas aromáticas e técnicas culinárias que preservam o valor nutricional dos alimentos sem recorrer a aditivos", explica a Chef Joana Xardoné. "A textura, a cor e a apresentação também são fundamentais. Queremos que as crianças se sintam atraídas pela comida e que o momento da refeição seja positivo."
No refeitório, os alunos servem-se sozinhos, ou, nas idades mais novas, com apoio de um responsável de turma, aprendendo a gerir as porções de forma consciente. No final da refeição, separam o lixo, arrumam os talheres e colocam os pratos na máquina de lavar.




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