Desperdício alimentar: "Se deitarmos fora, não pagamos impostos. Se dermos, pagamos".


Expresso



A líder da Sonae, Cláudia Azevedo, concorda com Pedro Soares dos Santos: "isto é péssimo e tem de ser mudado" na distribuição


"O desperdício alimentar é das coisas que tem mais impacto no mundo e vai ter de ser um tema central". As palavras são de Pedro Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce, na APED Spring Conference , a decorrer, esta quarta-feira, em formato digital, numa iniciativa da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) para discutir o futuro do setor do retalho, tendo o caminho sustentável para a neutralidade carbónica como um dos temas.


Atento ao facto de que a produção alimentar é responsável por um quarto das emissões de gases de estufa e 70% do consumo de água e "não há um plano B porque não há um segundo planeta", Pedro Soares dos Santos assume o papel relevante do retalho alimentar nesta matéria, mas simultaneamente deixa um alerta: "40% do que se produz é desperdiçado. E isso não pode acontecer".


Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae, dona do Continente, quase em diálogo direto, concorda com a importância do sector para a resolução do problema, deixando uma nota crítica: "Às vezes, não podemos simplesmente dar as coisas das nossas lojas porque a lei não permite". "É péssimo para os nossos colaboradores, que sabem que há pessoas com necessidade e vêm deitar fora", sublinha.


E Pedro Soares dos Santos, agarra no mote para acrescentar: "Se deitarmos fora não pagamos imposto. Se dermos pagamos. O ministro da Economia tem de olhar para isto".

Deixaram, assim, um repto para a APED "tentar explicar ao legislador o que pode ser feito nesta matéria" e alterar o quadro atual.


O futuro do setor do retalho, o caminho sustentável para a neutralidade carbónica, o impacto da transição digital na economia e na geopolítica e liderança em tempos de redefinição social e económica são os grandes temas em debate nesta conferência que não esquece o atual quadro de pandemia, mas propõe olhar para o futuro do sector.




| Fonte: Expresso, 12 Maio 2021