top of page

1.000 toneladas de comida por dia: o desperdício nos lares portugueses

  • 14 hours ago
  • 2 min read




Um levantamento da associação ambiental Zero sugere que Portugal pode desperdiçar centenas de milhares de toneladas de alimentos por ano, se os resultados obtidos em duas comunidades de Ourique forem aplicados ao país. A ONG divulgou os números numa altura em que se assinala o Dia Internacional do Resíduo Zero, instituído pela ONU em dezembro de 2022, e alerta para impactos sociais e ambientais imediatos.


O estudo foi realizado em parceria com a Câmara Municipal de Ourique, no âmbito do programa Zero Waste Cities, e baseou-se na análise da fração indiferenciada recolhida porta a porta em três circuitos do concelho.


Os investigadores trabalharam sobre um conjunto limitado de amostras — cerca de 250 kg recolhidos em dois momentos ao longo de um ano — e caracterizaram a composição dos resíduos para identificar a presença de alimentos descartados.



As conclusões principais apontam para uma presença elevada de matéria orgânica nos contentores indiferenciados: em média, 51% dessa fração corresponde a biorresíduos. Deste conjunto, os restos alimentares (sobras de refeições, frutas, legumes, pão e produtos ainda embalados) representam uma parcela significativa, equivalente a 28% dos biorresíduos e a 16% do total de resíduos analisados.


Amostra analisada: 250 kg em dois momentos durante um ano.

Contexto local: três bairros de Ourique com 150 habitações e dois estabelecimentos HORECA.

Composição: 51% da fração indiferenciada é biorresíduo; desperdício alimentar = 28% dos biorresíduos.

Estimativa local: um aglomerado de ~300 habitantes pode gerar até 12 toneladas/ano só na fração indiferenciada.

Extrapolação nacional: cerca de 376 mil toneladas por ano — ou aproximadamente 38 kg/habitante/ano — o que corresponde a quase mil toneladas por dia.


Partir de amostras reduzidas exige cautela, mas os números servem como sinal de alerta: alimentos que poderiam ser consumidos, redistribuídos ou compostados acabam em sistemas de tratamento de resíduos ou, frequentemente, em aterro, com perda económica e aumento das emissões.



O que isto significa para quem vive nas cidades


Para além do desperdício direto, a presença elevada de comida nos resíduos indiferenciados dificulta a valorização orgânica e sobrecarrega a gestão municipal. A frequência de recolha e a separação na origem são fatores determinantes: no caso estudado, a recolha indiferenciada ocorre três vezes por semana, e, mantendo-se a composição observada, os três bairros analisados acumulam mais de 12 toneladas de alimentos perdidos por ano apenas nessa fração.


As consequências concretas incluem pressões maiores sobre aterros e incineradores, perda de recursos financeiros para famílias e operadores, e menores oportunidades de apoio alimentar a grupos vulneráveis.



Perspectivas e próximos passos


A Zero usa estes dados para sublinhar a necessidade de reforçar sistemas de separação de biorresíduos, apoiar iniciativas de doação alimentar e melhorar campanhas de sensibilização doméstica. Medidas como recolha seletiva de orgânicos, compostagem comunitária e protocolos entre comércio e bancos alimentares são ações frequentemente apontadas por especialistas como eficazes.


Embora a extrapolação envolva incertezas, o estudo coloca a questão central de forma clara: reduzir o desperdício alimentar em casa tem impacto direto na sustentabilidade urbana e na economia doméstica. Cabe agora a municípios, entidades públicas e cidadãos transformar esse sinal de alerta em políticas e práticas concretas.



 
 
 

Comments


bottom of page