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Tecnologia brasileira que combate desperdício de alimentos ganha prêmio em Viena

  • 9 hours ago
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A plataforma Comida Invisível é reconhecida pelo World Summit Awards e conquista prêmio na categoria Environment & Green Energy. Projeto já beneficia mais de 3,5 milhões de pessoas no Brasil.


A Comida Invisível, plataforma brasileira voltada ao combate ao desperdício de alimentos e à promoção da segurança alimentar, foi reconhecida nesta semana pelo

World Summit Awards (WSA), premiação internacional que destaca iniciativas digitais com impacto social e ambiental. O projeto foi selecionado na categoria Environment & Green Energy e passa a integrar uma rede internacional formada por iniciativas de mais de 180 países voltadas ao desenvolvimento sustentável, à inclusão social e à inovação tecnológica.


O reconhecimento destaca uma solução desenvolvida no Brasil para enfrentar desafios relacionados ao desperdício de alimentos, à insegurança alimentar e à sustentabilidade. Contudo, mais do que atuar na redistribuição de alimentos excedentes, a Comida Invisível desenvolveu uma plataforma digital que conecta empresas, governos, organizações sociais e comunidades para facilitar o aproveitamento de alimentos ainda próprios para consumo.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado todos os anos.

Paralelamente, milhões de pessoas enfrentam dificuldades de acesso à alimentação adequada.


Para Daniela Leite, fundadora e CEO da Comida Invisível, o desperdício de alimentos exige soluções estruturadas e integradas. "Desperdício de alimentos é um problema de infraestrutura. O alimento existe. A demanda existe. O que muitas vezes não existe é uma rede capaz de conectar esses atores sociais com eficiência, rastreabilidade e escala. É exatamente essa infraestrutura que estamos construindo", diz.



Aprendizado em Portugal


O desperdício de alimentos no Brasil é alarmante. As estimativas apontam para perdas de 30% de toda a produção nacional, o equivalente a 46 milhões de toneladas por ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a ONU, ao mesmo tempo em que 64 milhões de brasileiros têm acesso restrito à comida. Em média, cada brasileiro desperdiça 41 quilos de alimentos por ano, dos quais 60% em domicílios.


A carioca Ana Cristina Fiedler diz que, desde que chegou a Portugal há quase uma década, aprendeu formas de evitar o desperdício de alimentos. Uma delas, levar para casa a comida de sobra nos restaurantes. "No Brasil, temos um certo constrangimento em relação a isso, parece meio vergonhoso levar o que sobrou dos pratos para casa. Agora, em Portugal, faço isso sem qualquer problema", conta. Ela acrescenta que também passou a priorizar a compra de legumes cortados e congelados, pois vêm na medida certa, sem desperdício.

Na casa da cearense Ticiana de Castro, não é diferente. "Aqui, aproveitamos tudo.

Mas ampliamos a nossa consciência ecológica em Portugal, inclusive ao separar o lixo reciclavel", destaca. No supermercado, ela não se importa de comprar frutas com algum machucado. "As bananas soltas do cacho são mais baratas, mas, nem por isso, menos nutritivas. Nos restaurantes, tudo que sobra vai casa e é reaproveitado", complementa ela, que procura educar o filho Diego, de quatro anos, sobre a importância de não desperdiçar comida. "Há muita gente passando fome", enfatiza.


Se as duas brasileiras aprenderam em Portugal a importância de se evitar o desperdício de alimentos, a situação no país ainda é preocupante. Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que cada português desperdiça por ano 182,7 quilos de alimentos. Somente em 2023, foram jogados fora em Portugal 1,9 milhão de toneladas de alimentos, sendo que as famílias foram responsáveis por 66,8% do desperdício.


Diante desses números, acredita Daniela Leite, Brasil e Portugal ainda têm muito a avançar nas políticas de combate ao desperdício de alimentos, um desafio mundial.

Portugal, por sinal, aderiu, durante a reunião do G20 no Brasil, em novembro de 2025, à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, programa lançado pelo presidente

Luís Inácio Lula da Silva.



Infraestrutura digital


A Comida Invisível funciona como uma ferramenta de coordenação entre os diferentes atores envolvidos na gestão de excedentes alimentares. Por meio de recursos tecnológicos, geolocalização, rastreabilidade e monitoramento de indicadores, a solução permite que alimentos aptos para consumo sejam direcionados de forma rápida e segura para organizações sociais e populações em situação de vulnerabilidade.


De acordo com a organização, a plataforma já contribuiu para o direcionamento de mais de 15 milhões de refeições, beneficiando mais de 3,5 milhões de pessoas em 366 municípios brasileiros. A rede reúne organizações sociais e empresas dos setores de alimentação, varejo, hotelaria, saúde, indústria e serviços.


A iniciativa também busca apoiar cidades, cadeias produtivas e políticas públicas voltadas à redução do desperdício, ao fortalecimento da segurança alimentar e à mitigação dos impactos ambientais.


Segurança alimentar e ação climática


O desperdício de comida está entre os fatores que contribuem para as emissões de gases de efeito estufa. Além da perda dos alimentos, também são desperdiçados recursos como água, energia, solo, transporte e mão de obra empregados em sua produção.


Ao promover o aproveitamento de excedentes alimentares, a Comida Invisível contribui para diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU, entre eles: Fome Zero e Agricultura Sustentável; Consumo e Produção Responsáveis; Ação Contra a Mudança Global do Clima; Redução das Desigualdades; Cidades e Comunidades Sustentáveis


O World Summit Awards reconhece iniciativas que utilizam tecnologias digitais para enfrentar desafios sociais, econômicos e ambientais. Criado no contexto da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, o prêmio seleciona anualmente projetos que apresentam resultados e impacto em diferentes áreas do desenvolvimento sustentável.

Na avaliação de Daniela Leita, o reconhecimento recebido pela Comida Invisível evidencia a presença de iniciativas brasileiras em discussões globais relacionadas à inovação, sustentabilidade e segurança alimentar.




 
 
 

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