“Só estamos bem se o outro estiver bem”. Pré-publicação de “101 Vozes pela Sustentabilidade”

Com nota introdutória de António Guterres, “101 Vozes pela Sustentabilidade” junta textos de personalidades de vários setores da vida pública portuguesa sobre o tema do desenvolvimento sustentável. Em pré-publicação, a BLITZ apresenta, na íntegra, a entrevista à organizadora do Rock in Rio-Lisboa, uma das ‘vozes’ presentes no livro

Expresso



Com nota introdutória de António Guterres, secretário-geral da ONU, "101 Vozes pela Sustentabilidade" é um livro do ISCTE Executive Education, coordenado por Mónica Bello e publicado este mês pela LeYA, que junta textos de personalidades de vários setores da vida pública portuguesa "empenhados em assegurar o desenvolvimento responsável nas suas organizações a bem das pessoas, do país e do planeta".


Com nota introdutória de António Guterres, secretário-geral da ONU, "101 Vozes pela Sustentabilidade" é um livro do ISCTE Executive Education, coordenado por Mónica Bello e publicado este mês pela LeYA, que junta textos de personalidades de vários setores da vida pública portuguesa "empenhados em assegurar o desenvolvimento responsável nas suas organizações a bem das pessoas, do país e do planeta".

Transição energética, descarbonização, desperdício, Sociedade Sustentável e Igualdade de Género são alguns dos conceitos, realidades e palavras-chave ao longo de 800 páginas, que incluem uma entrevista a Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, que publicamos na íntegra.



Porque precisamos de nos preocupar com os desafios colocados pelas megatendências ligadas à sustentabilidade?

Eu cresci num meio de empreendedores, preocupados com o enquadramento social em que os seus negócios navegavam. O meu avô paterno costumava dizer que “o seu negócio só vai bem, se a sua cidade estiver bem”. Esta noção de interdependência, numa época em que não se falava ainda de sustentabilidade, era um olhar inovador que, estranhamente, continua assim nos dias de hoje. Pensar que a sustentabilidade é uma tendência, quando cientistas tentam alertar há décadas, é absolutamente redutor. É muito importante realçar que a sustentabilidade não é só ambiente. Muitas vezes focamos nas questões que são mais visíveis e mensuráveis e esquecemos que a sustentabilidade é um conceito de tripla base, onde se um pilar falhar entramos em desequilíbrio. É essencial olhar sempre para os três pilares (social, ambiental e económico) pois muitos problemas ambientais só serão resolvidos quando outros - sociais e económicos - forem tratados e isso é óbvio no caso da desflorestação. Muitas vezes são carências sociais (como a educação) e económicas que levam ao desmatamento. E cabe a cada um de nós ter esse papel ativo na sociedade, porque no fim da linha os governos e as empresas são feitos de pessoas, como nós, e esta mensagem de que está nas mãos de cada um é, talvez, a chave para a mudança. Há que simplificar a mensagem, dar espaço ao enquadramento do humano no ecossistema natural como uma peça deste, com um olhar de igualdade, de interdependência e não de superioridade.



Como é que o Rock in Rio tem enfrentado os desafios colocados por essas megatendências?


O Rock in Rio já nasceu, em 1985, com o objetivo de levar a esperança a uma juventude que acabava de sair de uma ditadura militar. Nasceu com um olhar social e com a responsabilidade de fazer o bem, de dar conforto e bem-estar a todos os envolvidos, de retribuir à comunidade, trazendo impacto económico para a cidade. Há 20 anos criámos o projeto “Por Um Mundo Melhor” que se tornou no nosso projeto de responsabilidade social. Nasceu com um foco mais social e económico, mas rapidamente abraçou questões ambientais e hoje o tema é transversal a toda a empresa. De forma voluntária, e não por imposições legais ou de alterações de paradigma, o Rock in Rio é, há 15 anos, neutro em carbono, certificado desde 2013 na ISO 20121 – Eventos Sustentáveis, Zero Waste to Landfill (0% de resíduos em aterro) em Portugal e com uma média de reciclagem de 80% no Brasil, entre outros. Todo este caminho levou-nos à definição de metas de sustentabilidade para 2030, assumidas publicamente pela primeira vez. Metas alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e descritos no nosso Plano de Sustentabilidade.



O que é que o Rock in Rio tem feito em concreto, em termos de produtos e serviços, para dar resposta a esses desafios?


credito que a contribuição mais relevante da cultura empresarial do Rock in Rio foi, e continua a ser, colocar a luz na plateia. Isto é, temos um profundo respeito e alto compromisso com a satisfação do público e de todos aqueles que fazem do Rock in Rio uma realidade (cidade, parceiros, equipa, fornecedores, etc.) Além disso, de forma resumida, ao longo destes anos investimos mais de 34 milhões de euros em ações sociais e ambientais. Para os próximos anos temos desenhadas ações e metas que começam agora e que vão até 2030, que irão contribuir para trabalhar estes desafios, nomeadamente a contabilização das emissões de carbono (que já neutralizamos há 15 anos); continuar a melhorar o nosso plano de gestão de resíduos que nos permite, hoje, reciclar e valorizar 100% dos nossos resíduos (mas queremos reduzir ainda mais e, por isso, vamos proibir embalagens primárias, descartáveis; já há muitos anos que proibimos a distribuição de folhetos e na construção do evento doamos materiais no final a outros festivais, escolas, associações, etc.); temos um plano de mobilidade sustentável com o objetivo de reduzir a pegada carbónica do público, que representa mais de 50% de todas as emissões associadas ao evento; estamos a trabalhar a inclusão e a diversidade através de parcerias com diversas associações, fomentando a empregabilidade e a identificação com o Rock in Rio entre os grupos minoritários; um tema novo que vamos começar a trabalhar será o desperdício alimentar, ainda que já façamos doação de alimentos em boas condições para famílias carenciadas. Queremos trazer a mensagem da importância das nossas escolhas e o impacto das nossas decisões de consumo; queremos promover a empregabilidade entre os mais carenciados através da capacitação para trabalharem no mercado dos eventos. A par disto, teremos ações de envolvimento na nossa política de sustentabilidade para todos os que impactam ou são impactados pelo Rock in Rio de alguma forma.



O que é que o Rock in Rio tem feito em concreto, em termos de produtos e serviços, para dar resposta a esses desafios?


credito que a contribuição mais relevante da cultura empresarial do Rock in Rio foi, e continua a ser, colocar a luz na plateia. Isto é, temos um profundo respeito e alto compromisso com a satisfação do público e de todos aqueles que fazem do Rock in Rio uma realidade (cidade, parceiros, equipa, fornecedores, etc.) Além disso, de forma resumida, ao longo destes anos investimos mais de 34 milhões de euros em ações sociais e ambientais. Para os próximos anos temos desenhadas ações e metas que começam agora e que vão até 2030, que irão contribuir para trabalhar estes desafios, nomeadamente a contabilização das emissões de carbono (que já neutralizamos há 15 anos); continuar a melhorar o nosso plano de gestão de resíduos que nos permite, hoje, reciclar e valorizar 100% dos nossos resíduos (mas queremos reduzir ainda mais e, por isso, vamos proibir embalagens primárias, descartáveis; já há muitos anos que proibimos a distribuição de folhetos e na construção do evento doamos materiais no final a outros festivais, escolas, associações, etc.); temos um plano de mobilidade sustentável com o objetivo de reduzir a pegada carbónica do público, que representa mais de 50% de todas as emissões associadas ao evento; estamos a trabalhar a inclusão e a diversidade através de parcerias com diversas associações, fomentando a empregabilidade e a identificação com o Rock in Rio entre os grupos minoritários; um tema novo que vamos começar a trabalhar será o desperdício alimentar, ainda que já façamos doação de alimentos em boas condições para famílias carenciadas. Queremos trazer a mensagem da importância das nossas escolhas e o impacto das nossas decisões de consumo; queremos promover a empregabilidade entre os mais carenciados através da capacitação para trabalharem no mercado dos eventos. A par disto, teremos ações de envolvimento na nossa política de sustentabilidade para todos os que impactam ou são impactados pelo Rock in Rio de alguma forma.


|Fonte: Expresso, 10 de Maio 2022

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