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Os bioplásticos, as fibras celulósicas, os resíduos e as águas

São alguns dos temas chave para a proteção do planeta e que passam pela circularidade, o combate ao desperdício, a reciclagem e por novas soluções.





A história de Hernâni Magalhães, CEO da Silvex, é a história do pioneiro que em 2008 começou os bioplásticos, em colaboração com uma empresa norueguesa de compostagem. "Continuamos a trabalhar com os plásticos e exportamos 98% sobretudo para os países nórdicos e para Espanha, onde os sacos da fruta na distribuição alimentar passaram a ser biocombustíveis e há muitos casos de sucesso na compostagem em Espanha", disse Hernâni Magalhães durante o debate, "Como acelerar a proteção do planeta?, que foi moderado por Francisco Ferreira, presidente da ZERO. Hernâni Magalhães lembrou ainda o caso da cidade de Milão, que implantou um grande projeto de reciclagem de biocombustíveis, e consegue recuperar 105 quilos em 120 quilos de plásticos biocombustíveis. A Silvex entrou também na reciclagem de plásticos tradicionais, que segundo as estatísticas, é de 3%, através da compra dos plásticos aos seus clientes. São exemplos da economia circular numa área com grandes impactos ambientais. Sofia Reis Jorge, CSO da Altri, narrou a história da transformação de uma indústria que era de papel e celulose em produtora de fibras celulósicas com diversas aplicações. Deu o exemplo da Celbi em que, há uns anos, 80% da produção era para papel de escrita, e que hoje é para produtos de uso doméstico, o tissue, para guardanapos, rolos de papel de cozinha, papel higiénico. Sublinhou também a entrada no têxtil através da Caima que produz pasta solúvel cuja fibra substitui as fibras feitas de hidrocarbonetos como a viscose e a liocel, que é uma fibra celulósica considerada tão confortável como o algodão. "A fibra celulósica é reciclável entre 5 a 10 vezes, e é um desafio que temos", concluiu Sofia Reis Jorge.

O recurso da dessalinização

"Na gestão dos resíduos o ponto de partida é muito mau face ao que temos de fazer, mas acelerar quer dizer recuperar o atraso", começou por afirmar Emídio Pinheiro, CEO da EGF. Defendeu ainda que, para se atingir os objetivos para 2030 e 2035, há a necessidade de uma cultura de cooperação e colaboração e que é um desafio equivalente ao das Descobertas. A Águas de Portugal está no coração de um dos temas chave para o futuro do planeta e está no centro do ciclo hidrológico da água e das alterações climáticas. Debate-se com temas como o desperdício, a eficiência hidrológica e a circularidade da água "num território muito assimétrico como realidades diferentes a Norte do Tejo em que o problema é gestão as águas fora de tempo enquanto no a Sul do Tejo é a falta de água, a que o Alqueva veio dar algumas soluções", afirmou José Furtado, CEO, das Águas de Portugal. Fez ainda referência aos problemas colocados pelas zonas costeiras do Algarve e do Alentejo, neste caso as necessidades são para o polo industrial de Sines. Nestas regiões as soluções passam pela dessalinização, havendo um projeto para o Algarve apoiado por fundos do PRR. "É o último dos recursos mas a longo prazo vai ser mais recorrente", concluiu José Furtado.



|Fonte: Jornal de Negócios, 20 de abril 2023

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