O FoodLoop anda à procura de ideias contra o desperdício alimentar no Porto

Este concurso de ideias promovido pela autarquia vai apoiar os cinco melhores projectos para tornarem-se empresas com vista a mudarem o paradigma da alimentação.

Público



“Menos desperdício alimentar, menos resíduos, na busca de um caminho mais sustentável e saudável”, é o mote para o projecto FoodLoop, promovido pela câmara do Porto, que está à procura de ideias inseridas na lógica da economia circular para eventualmente darem origem a novas empresas com vista a ser cumprida a noção de transição alimentar. As inscrições estão abertas desde Setembro e encerram a 21 de Janeiro do próximo ano. No final do concurso serão seleccionados os cinco melhores projectos, sendo que a um deles será dada a oportunidade de se estabelecer no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto - UPTEC.


“Promover a inovação e encontrar novos modelos, ideias e projectos que incidam em toda a cadeia de valor que temos na área alimentar” é o principal objectivo da iniciativa. Quem o diz é Filipe Araújo, vice-presidente e vereador do Ambiente e Transição Climática da autarquia portuense, que falou com o PÚBLICO um pouco antes da apresentação do projecto marcada para as instalações do pólo da Asprela da UPTEC.

O FoodLoop, explica, é um ramo de um projecto “mais amplo” desenvolvido pela câmara - o CityLoops -, que resulta de uma candidatura europeia feita para estimular na cidade novas abordagens em tópicos como, por exemplo, o da recolha de resíduos orgânicos.


O concurso em causa, apresentado esta quarta-feira na Asprela, servirá para a autarquia encontrar ideias e projectos que podem incidir “na produção, distribuição e transporte de alimentos” ou “na fase de consumo e na fase de fim de vida dos alimentos”, ou seja, dos resíduos alimentares e orgânicos, que diz poderem depois ser valorizados. Condição para a selecção dos candidatos é apresentarem projectos cuja base dos modelos de negócio assente “nos princípios da economia circular”.


Para servir de inspiração aos que pensam candidatar-se, presentes na apresentação estariam empresas no activo com projectos de economia circular já em marcha: A BioWorld, que apoia o tecido empresarial e as organizações a valorizarem os seus resíduos, desperdícios e subprodutos tornando-os produtos sustentáveis; a MudaTuga, que promove a compostagem junto de “pessoas comuns”; e a Fhlud, que tem uma plataforma/mercado de frutas e legumes frescos, que “promove a compra e venda de alimentos do jardim” de origem local, com entrega ao domicílio.


Nesta primeira fase do FoodLoop, serão seleccionados em Janeiro 20 projectos entre os candidatos. “Serão valorizados pelo júri aqueles que consigam trazer um impacto positivo social”, afirma Filipe Araújo. Os escolhidos seguirão, numa segunda etapa, para um boot camp de “três dias intensivos”, onde terão ajuda para desenvolver o projecto. No final serão seleccionados as cinco melhores ideias. A quem as desenvolveu será dada mentoria, durante seis meses, de forma a encontrarem fontes de financiamento, parcerias, dispondo de formação específica, com o apoio da consultora 3drivers e da IES-Social Business SchoolUm, parceiros do projecto. Um dos projectos ficará incubado na UPTEC.


A partir daí é deixar que as ideias sejam postas em marcha, numa altura em que se pretende colocar este tópico na agenda de preocupações do cidadão comum. “Assistimos a uma mudança de paradigma onde muitas oportunidades vão surgir. E quem trouxer inovação e produtos que implementam esta lógica de circularidade vai dar origem ser produtos de sucesso. Espero que essas ideias saiam do Porto para o mundo”, conclui o autarca.



|Fonte: Público, 15 de Dezembro 2021

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