“Não Me Lixes”, o movimento que quer dar luta ao desperdício alimentar em Portugal

Ao longo de um ano, o movimento “Não Me Lixes” propõe-se organizar dezenas de ações em prol da consciencialização para o desperdício alimentar. Estima-se que em Portugal se percam anualmente um milhão de toneladas de alimentos aptos ao consumo.


29 Setembro 2020 Sapo



A 29 de setembro assinala-se o primeiro Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos. Ciente deste problema e da necessidade de criar soluções orientadas a minimizá-lo, a AGAVI - Associação para a Promoção da Gastronomia, Vinhos, Produtos Regionais e Biodiversidade, apresenta o movimento “Não Me Lixes”. A iniciativa conjunta com a AHRESP, LIPOR, AEP-Associação Empresarial de Portugal e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, passa por “uma campanha nacional de sensibilização e numa agenda anual de ações contra o desperdício que percorram todo o território e envolvam todas as comunidades”, sublinha aquele movimento em comunicado.


O movimento “Não Me Lixes” manifesta a “disponibilidade para trabalhar e articular ações com entidades públicas e privadas, saudando a criação através do Banco Alimentar Contra a Fome do Movimento ´Unidos Contra o Desperdício` com que se dispõe, desde já, a trabalhar”.


A estratégia do movimento “passará pela preparação de uma campanha nacional que envolve os principais media e redes sociais e que será animada por uma rede de embaixadores - influencers da área da cultura e espetáculo, chefes de cozinha, enólogos e agentes económicos que lidam com o alimento. Todos juntos numa missão cultural e geracional capaz de mudar comportamentos e de reduzir drasticamente o Desperdício em Portugal”.


Da agenda anual do movimento agora apresentada, “finda o qual se publicarão os resultados”, constam, entre outras iniciativas, a criação de um espetáculo de comédia sobre o desperdício e a má gestão dos alimentos, a exibição de um programa diário de televisão “Minuto contra o desperdício” (durante três meses); o lançamento de uma aplicação com dicas sobre como não desperdiçar, a publicação de um livro de receitas com dicas sobre reaproveitamento de alimentos, ações de sensibilização junto da restauração, o envolvimento dos chefes de cozinha desafiados a recriarem pratos tradicionais portugueses que reaproveitem alimentos.




“No fim faremos as contas”, afirma António de Souza-Cardoso, presidente da AGAVI, para quem “esta ação pretende estimular um sentimento de intolerância e indignação perante o desperdício, numa sociedade de recursos limitados onde ainda existe o flagelo da fome e da subnutrição. A ética e a responsabilidade social não se proclamam, praticam-se”, afirma aquele dirigente Associativo.


“Perdemos milhares de milhões de euros em desperdício que apenas existe por comportamentos culturais desadequados ou falta de planeamento. O poder público tem que ter uma abordagem pragmática do problema, impondo regras e boas práticas e penalizando quem a as não cumprir. Ao mesmo tempo, deve estimular e premiar as ações que diminuam concretamente o desperdício de recursos e afirmem uma cultura de respeito e harmonia com a natureza. Queremos menos conversa, observatórios ou estudos e mais ação no terreno para confinarmos o Desperdício e achatarmos a curva da sua progressão no Mundo”, conclui António de Souza-Cardoso.


De referir que de acordo com dados recolhidos pela CNCDA – Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (2017), em Portugal desperdiçamos um milhão de toneladas por ano (97 kg per capita). No mundo inteiro o desperdício ascende a 1,3 mil milhões de toneladas.


Em termos de valor, e apesar de não haver registo para Portugal, o desperdício a nível mundial situa-se em cerca de 1 trilião de dólares, segundo dados de 2016 da FAO. Destes, 680 mil milhões de dólares provêm dos países industrializados e 310 mil milhões de dólares dos países em desenvolvimento.





Fonte: Sapo

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