Desperdício alimentar é maior na casa dos portugueses

A maior fonte de desperdício alimentar continua a ser a casa dos portugueses. O alerta é do Movimento Unidos Contra o Desperdício que, esta quarta-feira, lança uma campanha de sensibilização para assinalar o Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar e o primeiro ano da sua criação.


Jornal de Notícias


"A maior fonte de desperdício não é o setor agrícola, o industrial, da distribuição ou supermercados, mas a casa dos portugueses", diz Francisco Mello e Castro, do movimento cívico que agrega empresas e outras entidades que combatem o desperdício, explicando que há erros que é preciso evitar.


Ir às compras com fome e sem lista, porque se compra mais do que precisamos; não trazer as sobras quando se vai a um restaurante por vergonha ou constrangimento e não pedir para adequar as doses quando se come fora, são alguns dos exemplos que aponta.


Os vários parceiros do movimento (no primeiro ano congregou 2100 particulares e 245 empresas) têm procurado combater o problema, seja comercializando a preços mais baixos, aproveitando refeições que iriam para o lixo ou doando excedentes de produção a instituições.


"Boas práticas" a surgir


Ainda há "muito a fazer", diz Francisco Mello e Castro, mas também há "boas práticas" a surgir, como livros de receitas que ensinam a aproveitar sobras e até a forma como se apresenta a data de validade. A Danone, exemplifica, "recentemente mudou a forma como as datas de validade são colocadas nos iogurtes. Deixou de ser "consumir antes de" para ser "consumir de preferência até", o que leva o consumidor a ponderar não deitar logo fora".


Hoje, para assinalar o Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar e o seu primeiro ano, o movimento lança uma campanha que procura "sensibilizar, dando visibilidade a todas as marcas, empresas e entidades públicas e privadas que, no terreno, combatem o desperdício de alimentos".


Sob o mote "Unidos contra o desperdício, num compromisso com as gerações futuras", várias entidades juntam-se, pelas 17 horas, nos armazéns do Banco Alimentar de Lisboa, para um debate entre todos os setores da cadeia alimentar. Depois da abertura, a cargo de Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares e de Francisco Mello e Castro, coordenador do Movimento Unidos Contra o Desperdício, segue-se dois encontros.

O tema "O privado, o social e o público unidos contra o desperdício" desafiará a Ministra da Agricultura, o presidente da CIP e o fundador da Refood a discutirem os desafios de futuro para que o desperdício alimentar seja combatido de uma forma cada vez mais unida e integrada. "Marcas unidas contra o desperdício" irá focar-se no papel das marcas para um consumo mais responsável.


|Fonte: Jornal de Notícias, 29 de Setembro 2021

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