Desperdício alimentar é "crime desumano"

No mundo, "cerca de um terço daquilo que produzimos vai para o lixo", referiu, esta quarta-feira, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, no lançamento de uma nova campanha que visa apelar ao combate ao desperdício alimentar, a começar na casa de cada um de nós.


Jornal de Notícias

Cerca de 200 empresas e entidades públicas adotaram o mote "Unidos contra o desperdício, num compromisso com as gerações futuras", lançando um apelo aos portugueses para se unirem contra o desperdício alimentar no Dia Internacional para a Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar.


A iniciativa compromete não só o setor público mas também as empresas do setor privado nesta causa. O evento organizado pelo Movimento Unidos Contra o Desperdício, criado há um ano, dirige-se especialmente às famílias portuguesas, que são as principais responsáveis pelo desperdício alimentar a nível nacional.


O setor privado marcou presença, pela relevância das ações das organizações não governamentais como é o caso da Re-food, que tem tido uma ação fundamental no combate ao desperdício alimentar, "recebendo muita quantidade de comida que é entregue o mais rápido possível às pessoas necessitadas", como afirmou Hunter Halder, fundador e presidente da organização.


É urgente, porém, que se "olhe para o que está a acontecer por outra perspetiva", disse. A atividade de organizações como a Re-food será insuficiente se não se mudarem os hábitos dentro das próprias famílias e também no meio empresarial. É preciso cultivar um "modelo de economia circular", disse.


Marcas fazem muito pouco


António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), reforçou essa ideia. "São as empresas as responsáveis por criar riqueza, mas estas têm de ser solidárias e cumprir com a sua responsabilidade social", disse, pelo que está a ser desenvolvida uma "colaboração mais alargada possível para despertar e incentivar as empresas para estas dinâmicas".


As marcas têm também um papel relevante, mas "fazem muito pouco em relação ao desperdício alimentar", defendeu Maria João Vieira Pinto, diretora da Marketeer e Executive Digest, para quem existe uma "hipocrisia das marcas". Os consumidores são por vezes "enganados", reforçou Ana Catarina Fonseca, diretora geral da Direção Geral do Consumidor.


Dicas do chef


O chef Kiko sugeriu que o que pode ser feito no seio familiar é o "planeamento das refeições da semana" para se evitar o "crime desumano" que é o desperdício alimentar. "Com um pouco de especiarias e sabor conseguimos disfarçar as coisas", disse.


O Governo também se comprometeu com a causa através de "ações de sensibilização dos cidadãos", como afirmou a ministra da Agricultura. Para já destacou-se neste âmbito um selo "produção sustentável, consumo responsável" que garante aos consumidores o cumprimento voluntário de um conjunto de condições, por parte das entidades que aderem, definidas pela plataforma UE Perdas e Desperdício Alimentar.


"É necessário ter uma produção e um consumo sustentável" e todos nós somos essenciais para a redução do desperdício alimentar, "trabalhando simultaneamente no combate às alterações climáticas", defendeu a ministra.


|Fonte: Jornal de Notícias, 29 de Setembro 2021

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