As Nações Unidas alertam que, em 2019, 17% de toda a comida disponível para consumo foi deitada fora

As Nações Unidas alertam que, em 2019, 17% de toda a comida disponível para consumo foi deitada fora. E, de acordo com números da FAO, devido à pandemia de covid-19, cerca de 132 milhões de pessoas enfrentam atualmente insegurança alimentar e de nutrição.


Dinheiro Vivo

Esta quarta-feira, 29 de setembro, é o Dia Internacional para a Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar, decretado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em Portugal, o Movimento Unidos Contra o Desperdício comemora o primeiro ano de existência e junta "dezenas de empresas e entidades dos vários setores da cadeia alimentar, para sensibilizar os portugueses para uma temática que não pode deixar ninguém indiferente", segundo o comunicado.

Para dar o pontapé de saída no alerta à sociedade portuguesa, este movimento vai lançar uma campanha de comunicação que assenta "no racional da reutilização", sendo que esta campanha tem como "conceito base" a "união dando visibilidade a todas as marcas, empresas e entidades públicas e privadas que, no terreno, combatem o desperdício de alimentos", de acordo com o documento. Além disso, nesta quarta-feira vai haver também um evento no Banco Alimentar contra a Fome.

"Tendo por objetivo facilitar o aproveitamento de excedentes, incentivar e facilitar a doação das sobras e promover o consumo responsável, o Movimento Unidos Contra o Desperdício foi fundado por várias entidades, congregadas pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, a propósito da designação do Dia Internacional de Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar, instituído em 2020 pela ONU", pode ler-se no comunicado enviado às redações.

Este movimento agrega 2.100 particulares e 245 empresas. Contudo, não haverá números concretos da quantidade de alimentos desperdiçados em Portugal.

"É preciso destacar o envolvimento de tantas marcas, empresas, entidades do setor público, privado ou social, e com elas continuar a caminhar no sentido de evitar e combater o desperdício de alimentos. Porque só com um esforço coletivo e uno será possível combater esta realidade intolerável, absurda em termos económicos e injusta em termos sociais e ambientais", salienta em comunicado a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet.

Desperdício alimentar

As Nações Unidas avançam que o problema do desperdício alimentar não se reduz aos países mais ricos. A FAO - agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura - afirma que, em 2019, antes da pandemia, 17% de toda a comida disponível para ser consumida acabou por ser deitada fora. Os efeitos da pandemia também se fazem sentir na alimentação e na distribuição de comida. Este organismo, de acordo com a página de notícias da ONU, aponta ainda que 132 milhões de pessoas enfrentam atualmente insegurança alimentar e de nutrição devido à pandemia.

Nancy Aburto, uma das diretoras da FAO, defendeu - numa conferência de imprensa citada pelo site de notícias da ONU - que a "insegurança alimentar, a fome e a má nutrição estão a impactar todos os países do mundo e nenhum país não foi afetado; 811 milhões de pessoas sofrem de fome, dois mil milhões de pessoas sofrem de deficiências micro nutritivas - são deficiências de vitaminas e minerais - e milhões de crianças que sofrem de baixa estatura e de baixo peso".

A responsável apelou ainda a que os países apostem em formas inovadoras para reduzir os desperdícios, como é o caso de novas embalagens.


|Fonte: Dinheiro Vivo, 29 de Setembro 2021

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