“Apesar de 2020 ter sido um ano difícil para todos, temos de fazer um balanço positivo”

25 Março 2021 Distribuição Hoje



Ludovic Reysset, Country Manager da Danone Portugal, à margem do evento Marketing with Purpose Colloquium, esteve à conversa com a DISTRIBUIÇÃO HOJE, abordando alguns dos temas que marcam a conjuntura que todos vivemos.


Traçando um cenário avaliativo do que foi o último ano para a Danone, Reysset aborda questões prementes como a necessidade de a marca que lidera manter os postos de trabalho dos seus colaboradores, mesmo num cenário de crise sanitária e pandémica.



São uma das marcas com forte identificação com um estilo de vida saudável. Em contexto de pandemia, como tem corrido a vossa operação em Portugal e em termos globais? De que forma foram afetados pela pandemia?


A pandemia apresentou-nos enormes desafios, desde logo porque nos colocou a todos perante um contexto desconhecido e imprevisível. Na Europa, a divisão Essential Dairy & Plant Based fechou em positivo embora esse impacto positivo, de um modo geral, não tenha sido sentido em Portugal, muito derivado ao facto de sermos um mercado que consome muitos iogurtes líquidos, em momento de “snacking” e “on the go”. Perante uma realidade de confinamento, este tipo de consumo acabou por ser penalizado versus opções sólidas de consumo à colher.


Como em tudo o que é novo, existe um período de adaptação à nova realidade em que se aproveitam as oportunidades emergentes e se tentam mitigar as ameaças decorrentes. Com a pandemia, alguns segmentos ganharam muita relevância por estarem mais intrincadamente ligados a saúde, como os segmentos de proteína, probióticos e, claro, o segmento de defesas dada a preocupação geral da população com a imunidade e as defesas do organismo (nesses 3 segmentos somos líder em Portugal).


Perante a necessidade de adaptação a um novo contexto, criámos uma task-force para adaptar o nosso negócio e oferta e incorporar as novas tendências de consumo nos nossos planos. A Danone fez um enorme esforço para ir ao encontro das novas necessidades da população portuguesa e desenvolveu em tempo recorde um vasto conjunto de inovações.

Uma outra clara tendência que surgiu com a COVID-19 foi a compra online. Também aqui a Danone colocou enorme foco e redirecionou investimentos para este canal de forma a poder ser uma opção válida para todos aqueles que, por questões de segurança ou comodidade, preferem não ter de se deslocar aos pontos de venda físicos. Garantimos uma maior oferta de sortido a um maior número de clientes, não esquecendo a comunicação das nossas novidades e principais inovações nas plataformas digitais.


Numa conversa, há cerca de um ano, com a nossa publicação, contava-nos que “este surto veio trazer desafios à normal produção e abastecimento dos nossos clientes”. Que barreiras e dificuldades encontrou e como foram superadas?


2020 foi definitivamente um ano com muitos desafios e que nos obrigou a reinventar e adaptar a um contexto inédito. A nível logístico e de abastecimento dos nossos clientes as barreiras foram de facto várias e com alguma complexidade na sua gestão. Antes de mais, verificámos um aumento de absentismo nas nossas fábricas e armazéns, fosse por contágio de Covid-19, fosse por precaução/quarentena ou por motivo de apoio à família. Outra barreira importante foi o da realidade pandémica trazer igualmente a necessidade de adaptação e segregação de turnos, de forma a garantirmos que não havia contacto entre pessoas de turnos diferentes, o que nos impactou negativamente a produtividade e os custos operacionais. Por outro lado, as alterações constantes da procura, seja por confinamentos mais severos, alteração do phasing dos dias da semana, ou por dificuldades sentidas pelos nossos clientes, também nos trouxeram constrangimentos acrescidos no abastecimento do mercado, até pela volatilidade das vendas versus as nossas previsões.


Como ultrapassámos essas barreiras? Bem, antes de mais, através de muita comunicação, fosse externamente com os nossos principais clientes e operadores logísticos, fosse internamente, com as nossas fábricas e entre os nossos departamentos e colaboradores, que fizeram um excelente trabalho para manter e até fortalecer pontes de contacto numa altura de distanciamento físico. Esta grande proximidade permitiu-nos manter sempre um elevado nível de colaboração entre os vários stakeholders, o que nos permitiu ultrapassar os obstáculos, até nos períodos mais difíceis.


Algo igualmente importante foi a nossa reunião de “control tower” diária e que estabelecemos para que, de um ponto de vista operacional, tivéssemos uma maior visibilidade do estado e oscilação da demanda do mercado, impactos do confinamento e análise das vendas e stocks diários em loja; o que nos deu uma maior capacidade de reação e tomada de decisão.


Finalmente, perante o absentismo verificado, tanto em armazém como em fábrica, mantivemos ainda disponíveis equipas de reserva e que pudessem dar suporte em caso de necessidade.


A sustentabilidade e os modos de vida que preservam os ecossistemas continuam a ser uma preocupação crescente dos consumidores. Que medidas já concretizadas tomaram neste sentido relativamente, por exemplo, a embalagens, uso de matérias-primas, etc? Além de se mudar as formas de produção é também preciso consciencializar o consumidor?


Para um consumidor cada vez mais informado e interessado, a sustentabilidade já não é algo acessório ou secundário e tem de ser assumido pelas empresas e marcas como base na estratégica do seu próprio negócio. Por outras palavras, a sustentabilidade tem de fazer parte do próprio ADN da companhia e traduzir-se em tudo o que a companhia faz.


A Danone possui a nível global uma forte estratégia de preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, com particular enfâse na adoção de processos de agricultura regenerativa, preservação da água, neutralidade das emissões de carbono e economia circular dos materiais de embalagem. Em Portugal, não é diferente e um bom exemplo da luta da Danone para a redução da pegada ambiental foi a recente retirada das tampas de plástico da generalidade dos seus produtos líquidos. São menos 145 milhões de tampas que anualmente entram no mercado, o que representa menos 200 mil kg de plástico, todos os anos. Esta ação de remoção das tampas aliada a outras iniciativas passadas de redução de plástico faz com que hoje os iogurtes líquidos da Danone tenham em média menos 25% de plástico face a produtos similares concorrentes.


Outra importante iniciativa do nosso compromisso para com o meio ambiente, e que já iniciámos, é o nosso objetivo de, até 2025, mudarmos todas as nossas embalagens em poliestireno (PS) para politeraftalato de etileno (PET), que é um material muito mais interessante para uma economia circular visto que permite uma muito maior taxa de reciclabilidade e incorporação de material reciclado que o PS.


Naturalmente que quando se fala de ambiente, fala-se muito de plástico, mas as iniciativas ambientais não se fazem exclusivamente de redução de materiais de embalagem. Também o desperdício alimentar, por exemplo, gera preocupação. Estima-se que, a nível global, cerca de 1/3 de todos os alimentos produzidos acaba por ser desperdiçado, alimentos esses responsáveis por 8% a 10% das emissões de gases com efeito estufa. Não indiferente a esta problemática, a Danone Portugal atua em três eixos de combate ao desperdício alimentar: i) através da otimização dos seus próprios processos internos, estimando de forma tão rigorosa quanto possível a procura de clientes e consumidores e ajustando a suas produções em conformidade; ii) procurando com parceiros (como a Too Good To Go) formas de disponibilizar aos consumidores produtos que se aproximam da data de validade mas que estão perfeitamente aptos para serem consumidos, e a um preço reduzido; iii) associando-se a entidades como o Banco Alimentar ou a Refood a quem doa milhares de iogurtes todas as semanas.


O compromisso para a redução do desperdício alimentar é ainda assumido pela Danone através de diversas iniciativas levadas a cabo para o efeito, em toda a cadeia de valor. Entre elas conta-se a adesão ao “Movimento Unidos Contra o Desperdício” – um Movimento de sensibilização promovido, entre outros, pelo Banco Alimentar e que conta com o alto patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.


Finalmente, mas não menos importante, e com o propósito de ativamente contribuir para a redução do desperdício alimentar, a Danone iniciou em 2021 a alteração da forma como declara a data de validade dos seus produtos passando a declarar na respetiva embalagem uma data de durabilidade mínima (precedida da indicação “Consumir de preferência antes de”) em vez da tradicional data limite de consumo (precedida pela indicação “Consumir até”). Esta alteração está a ser feita progressivamente e apenas nos produtos que possuam estabilidade suficiente para garantir os mais elevados parâmetros de qualidade e total segurança alimentar, até uns dias após a data de validade neles inscrita. A Danone acredita que esta medida irá ajudar o consumidor a gerir melhor os alimentos que tem em sua casa e funcionará como um incentivo à avaliação do estado do alimento antes do mesmo ser descartado.


Por fim, prometia no último ano, em pleno contexto de pandemia, defender os postos de trabalho dos vossos trabalhadores. Como está a correr a ‘missão’ e que balanço faz de um ano tão complicado de gerir?


A responsabilidade social sempre fez e sempre fará parte do ADN Danone e num ano de 2020 com tantos problemas a vários níveis da sociedade em geral, e para cada um de nós em particular, essa responsabilidade foi um foco ainda maior para a Danone. Mantivemos todos os postos de trabalho, implementamos e incrementamos com base nas necessidades identificadas, programas de apoio aos nossos colaboradores e às suas famílias, transversais a várias áreas, desde aconselhamento psicossocial, a aconselhamento jurídico, segurança e bem-estar. Para além disso dotamos os nossos colaboradores de todas as ferramentas e condições necessárias para uma melhor adaptação ao contexto de trabalho em pandemia, sempre com o foco em algo do qual a Danone não abdica: o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.


Apesar de 2020 ter sido um ano difícil para todos, temos de fazer um balanço positivo relativamente à nossa capacidade de continuarmos, não apenas a desempenhar a “missão” Danone de levar saúde através da alimentação ao maior número de pessoas possível, mas também por termos protegido os nossos colaboradores, a quem procurámos sempre dar algum conforto perante as adversidades que vivemos. Mantivemos as nossas pessoas próximas, integradas, dinâmicas e valorizadas, numa equipa coesa e preparada para os desafios com que nos deparamos.




Fonte: Distribuição Hoje

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