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“É POSSÍVEL RETIRAR PRAZER ADOTANDO HÁBITOS ALIMENTARES EQUILIBRADOS”

Disponíveis em três sabores, os snacks energéticos Benefeat, feitos a partir de produtos biológicos, são saudáveis: não têm glúten, lactose, nem qualquer tipo de açúcares adicionados. O Hipersuper falou com o fundador da Benefeat. Francisco Fontes é um apaixonado pela alimentação saudável e criou a marca por acreditar que não é preciso optar entre saúde e sabor.


Hipersuper



Como é que nasceu a Benefeat?


A Benefeat é uma marca portuguesa de produtos vegan, biológicos, isentos de glúten e livres de qualquer tipo de OGM. À data de hoje, conta com três referências de barras energéticas cruas: amendoim, cacau e coco e banana. São snacks saborosos, sem açúcares adicionados, ricos em fibra e proteína.


A ideia da marca emergiu da necessidade de mostrar que é possível retirar prazer adotando hábitos alimentares equilibrados. Emergiu, essencialmente, de não ter que se optar entre saúde e sabor. Acompanhando o desconfinamento gradual da pandemia, na primeira metade de 2021, o objetivo da Benefeat passou também por contrariar o regresso à agitação diária e consequente falta de tempo para ser criterioso na alimentação, através de snacks credíveis e saborosos, capazes de nutrir e dar a energia necessária, recorrendo a ingredientes simples, 100% naturais e respeitando o modo de produção biológico.


A proposta de valor da Benefeat assenta na simplicidade, na funcionalidade e na valorização da natureza. Dar pequenas contribuições a cada um com opções saudáveis, vegan, bio, cada vez mais inovadoras, e tendo uma forte preocupação em proporcionar bons momentos a quem se preocupa com o corpo e a saúde em geral. Ser uma marca inclusiva em todos os sentidos, respeitando também as intolerâncias alérgicas. Demonstrar a mais-valia que os snacks naturais representam, comunicando de forma jovem e divertida e tentando aumentar tanto quanto possível a presença num segmento de produtos em crescimento e com aceitação comprovada em Portugal e na Europa.


Quais os maiores obstáculos com que se têm deparado?

A dependência de fornecedores e produtores, a logística pouco otimizada, especialmente do ponto de vista de custos, a difícil cobertura do pequeno comércio (mercearias biológicas, ervanárias, clínicas de saúde e estética, espaços desportivos, etc…) e a presença ainda limitada no canal online (necessidade de financiamento: submetemos recentemente candidatura para o apoio à “Internacionalização via E-commerce”, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. Também a entrada em mais canais no grande retalho – trabalho moroso e exigente de “bater às portas”, a previsão da procura, o saber os produtos novos em que apostar; necessidade de obter feedback rápido por parte dos consumidores e o aparecimento de marcas brancas com preços muito competitivos, apesar dos diferentes padrões de qualidade.


A escassez das matérias-primas, o aumento generalizado dos custos a nível produtivo e energético… Que reflexo está a ter esta realidade na vossa empresa?

Numa indústria que por si só já tem margens consideravelmente baixas, a conjuntura que vivemos a nível europeu e mundial não vem facilitar em nada a nossa tarefa. Dos materiais que usamos aos operadores logísticos com os quais trabalhamos, o impacto da guerra (e do pós-pandemia) tem-se refletido nas nossas contas. Sentimos naturalmente a pressão a montante e a jusante da nossa cadeia de valor.

Ainda assim, fazemos os ajustes que são necessários, tentamos contornar os obstáculos que o panorama atual nos coloca e temos muita esperança numa melhoria da situação global. Agora, mais do que nunca, a busca pela redução de custos tem de fazer parte da estratégia da empresa.


Como está a correr o ano a nível de faturação?

A marca tem crescido a bom ritmo, por via do reconhecimento do fit dos nossos produtos, e com isso triplicámos a nossa faturação em 2022 face ao mesmo período do ano passado.


Quais as previsões para 2023?

Com a entrada em alguns pontos de venda estratégicos, a aposta no e-commerce e o objetivo de internacionalização, ambicionamos em 2023 pelo menos duplicar a faturação de 2022, ganhando autonomia financeira para investir ainda mais e ser mais competitivos a nível de preço.


Como funciona o vosso processo de produção?

A produção é atualmente realizada em outsourcing, sendo que todos os fornecedores das nossas matérias-primas e a fábrica a cargo do processo produtivo são devidamente acreditados e certificados, contando com know-how e uma vasta experiência no setor.

Os nossos produtos são fabricados em salas em circuito fechado, sem qualquer contacto com leite, trigo, centeio, cevada ou qualquer tipo de alergénio associado à lactose e ao glúten. Além disso, trabalhamos com aveia isenta de glúten, pelo que não existe qualquer risco de contaminação cruzada.

A fábrica tem uma localização estratégica para nós e trabalhamos diretamente com nutricionistas e engenheiros alimentares em fábrica, que dão pareceres sobre os processos e o desenvolvimento dos produtos.

Sentem que os consumidores procuram cada vez mais produtos saudáveis?

O mercado de produtos biológicos nunca esteve tão em alta como nos dias de hoje. Costumo dizer que a procura de produtos saudáveis e de origem orgânica já não é apenas o futuro, é o presente. Para isso, contribui muito o facto de o consumidor ser cada vez mais informado e exigente. Não há dúvidas que a digitalização fez disparar a quantidade de fontes de informação que temos hoje em dia e isso contribuiu em muito para que as pessoas estejam alerta e tenham cuidados acrescidos com a sua saúde e o seu corpo e se preocupem também com as questões ambientais e sociais. As pessoas começam a estar preparadas para pagar um pouco mais por algo que sabem que se vai repercutir positivamente no futuro a todos os níveis.


Como se distinguem neste segmento?

Antes de mais, e apesar de tudo, há ainda poucas opções no mercado de marcas portuguesas de barras energéticas biológicas. Quando entrámos neste segmento, sentimos que havia espaço para crescermos num mercado ainda longe do seu nível crítico de maturidade.

Depois, a Benefeat presenteia os seus consumidores com uma simbiose entre o saudável e o prazeroso, ao mesmo tempo que prático (snacks). E é na indulgência que reside a grande vantagem competitiva da marca (o chamado “bombom sem culpa”). Estamos a falar de produtos consensualmente saborosos, com uma textura agradável e com excelentes valores energéticos e equilíbrio nutricional, comprovado por nutricionistas e engenheiros alimentares.

Se tivesse de elencar os principais pontos de diferenciação da Benefeat, apontaria os seguintes: – Critério apertado de seleção de fornecedores e ingredientes com os quais estes trabalham, respeitando a qualidade, a origem 100% vegetal e o modo de produção biológico; – Processo de produção sem adição de componentes artificiais: produtos crus, sem confeção, 100% naturais, e sem adição de OGMs, o que os torna autênticos no sabor e textura e benéficos para a saúde a todos os níveis; – Produtos isentos de glúten e sem adição de açúcares refinados (contêm apenas os açúcares naturalmente presentes); – Sabores diferenciados e processo de I&D bem presente, na procura de produtos e sabores inovadores; – Packaging, imagem e comunicação muito própria, jovial e espirituosa, em linha com a mensagem que queremos transmitir e o público que queremos endereçar; – Forte preocupação com a sustentabilidade ambiental e a responsabilidade social.

Aproveito para elaborar este último ponto, uma vez que temos um propósito muito forte de sustentabilidade e comprometimento a nível social, que queremos continuar a alimentar.

Para evitar o desperdício alimentar, trabalhamos com a Too Good To Go e com a Phenix para escoar stock em fim de validade. Recentemente, iniciámos um modelo de vendas a granel, combatendo o uso desmedido de plástico e promovendo a reutilização de recipientes. A longo prazo, gostaríamos de adotar uma estratégia de plastic-free packaging.

Estamos envolvidos em várias iniciativas de responsabilidade social, como são exemplo: a campanha do Natal de 2021, em que 25% do valor das encomendas online reverteu para a ATACA (Associação de Tutores e Amigos da Criança Africana); a doação de 3.000 barras ao Centro de Apoio para os Refugiados Ucranianos, em parceria com o Instituto +Liberdade; a participação (a decorrer) no projeto “Criar Bosques” da Quercus, em que por cada encomenda que recebemos na nossa loja online, 1€ reverte para a plantação de árvores autóctones.


Onde é que podemos encontrar os vossos produtos?

A Benefeat comercializa estes produtos por todo o território nacional, com revenda para espaços biológicos, que constituem a essência da marca e estão 100% alinhados com o conceito, e parcerias chave ao nível do grande retalho nacional. Por via destas colaborações, temos vindo a consolidar-nos no mercado nos últimos meses, com feedbacks muito positivos a nível de sabor, textura, equilíbrio nutricional e valores energéticos.

Em pouco mais de 1 ano de existência, vemos a qualidade dos nossos produtos reconhecidos com presença nas lojas Auchan, Minipreço, Repsol, Bioforma, Glovo Express, Bolt Market, Getir, para além de inúmeras mercearias biológicas e espaços desportivos espalhados por Portugal e Norte de Espanha. Marcamos também presença em marketplaces como Decathlon, Worten, Nutritienda e Faire.


Já estão em algum mercado fora de Portugal? Qual a estratégia?

Começámos a exportar para o Norte de Espanha, através um pequeno distribuidor, que nos tem permitido endereçar o pequeno comércio espanhol, em particular a região da Galiza.

Para além disso, alguns marketplaces onde estamos presentes têm-nos permitido chegar pontualmente a outras latitudes, como é o caso de França, Itália, Reino Unido ou Estados Unidos.

A internacionalização é, sem dúvida, um tema em constante análise. Para além do B2B, que se rege pelo volume e venda em grande escala, sabemos do potencial do e-commerce para chegar ao nosso público lá fora.

Sendo o canal online uma excelente ferramenta de internacionalização da marca, torna-se relevante entender a importância de efetuar uma abordagem analítica de forma a capitalizar o investimento efetuado. O marketing digital é composto por uma oferta de serviços e ferramentas muito ampla sendo por isso necessário adaptá-la às necessidades intrínsecas da marca. O segredo passa por anular qualquer barreira geográfica e incentivar os vários intervenientes da cadeia de valor, em particular o cliente intermédio e o cliente final.


Quais são os objetivos a médio/longo prazo?

No médio prazo, pretendemos alargar o nosso assortment para outras gamas de produtos e trazer novidades para o mercado, em linha com o plano de exportação. Sabemos que um portfólio mais diversificado atrairá mais facilmente as compras online, tendo em conta a satisfação simultânea de várias necessidades e não apenas de uma. Ao mesmo tempo, permitir-nos-á aumentar a nossa força e ajudar a capitalizar o interesse que temos despertado junto do retalho físico, através de novas parcerias.

Após a penetração da Benefeat no mercado português, foi estabelecida como principal prioridade a internacionalização da marca, aumentando exponencialmente o volume das exportações e diversificando os mercados de exportação. Importa por isso dinamizar os principais canais disponibilizados para fomentar as exportações, sendo o online um canal de importância capital para atingir este objetivo, através da geração de leads e o aumento da taxa de conversão.

Com a aposta numa loja online revigorada, e consequente melhoria da user experience, bem como o investimento em ferramentas de divulgação da marca, prevemos a captação de milhares de novos clientes no e-commerce, beneficiando de um público-alvo declaradamente jovem e com facilidade de acesso ao mundo digital.

Tendo em vista o alargamento programado da nossa equipa de operações, pretendemos aumentar a capacidade de resposta a nível logístico, potenciando a nossa área de cobertura do território a nível comercial e minimizando o lead time para entrega de encomendas.

Este é o tipo de negócio que, ganhando escala, favorece economias de escala. Com o aumento de visibilidade e de dimensão da marca, previsto para os próximos meses, esperamos retirar dividendos a nível logístico, industrial e comercial. Acima de tudo, queremos estabelecer-nos de forma convincente no mercado nacional e internacional, tendo como diferencial a ambição de mudar hábitos e não simplesmente vender um produto qualquer.



|Fonte: Hipersuper, 5 Dezembro 2022

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